Família acusa hospital de negligência
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Foz do Iguaçu A família de uma menina de três anos acusa o Hospital Municipal de Foz do Iguaçu (Oeste) de negligência no atendimento pela morte da criança na manhã de domingo. A vítima teria ficado mais de 15 horas sem o acompanhamento de um médico. As causas da morte ainda não foram esclarecidas.
Na manhã de sexta-feira, a menina que estava com catapora, começou a ter febre e foi levada pelos pais a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) João Samek. Após realizar um exame de sangue, a suspeita da equipe médica era que a criança estivesse com dengue. Ela foi medicada, recebeu soro e ficou isolada na unidade.
Como deveria ficar internada, foi transferida por volta das 23 horas para o Hospital Municipal. "Ficamos em um quarto sem luz, ventilador ou ar-condicionado. A minha filha passou a noite toda com muita sede e vontade de urinar, porém não conseguia fazer xixi. No sábado, ela já estava com o rosto todo inchado", relatou a mãe, Diana dos Santos, de 25 anos.
De acordo com a família, a médica só foi conversar sobre o estado de saúde da menina às 15 horas, quando a criança foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). "Durante todas estas horas em que a minha filha ficou na pediatria nenhum médico foi ver o estado dela. O único atendimento era prestado pelos enfermeiros. Quando veio falar comigo, a médica me disse que o hospital estava muito cheio e que o problema da minha filha poderia ser dengue ou catapora hemorrágica ou até mesmo uma bactéria", contou Diana.
A família registrou um boletim de ocorrência contra o hospital na polícia, que aguarda o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) para concluir as investigações. A perícia deve ficar pronta em 30 dias.
DEFESA
Em nota, a Fundação Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu, gestora do Hospital Municipal, informou que a paciente deu entrada na unidade com suspeita de varicela e dengue e passou a madrugada sem alterações no quadro clínico e com sinais vitais estáveis.
Na tarde de sábado, a criança apresentou piora no seu quadro e foi transferida para a UTI e, que "apesar dos esforços da equipe médica, veio a falecer no domingo às 10h55".
Segundo o diretor presidente da Fundação Municipal, Geraldo Biesek, os procedimentos internos do hospital estão sendo realizados pelas comissões, porém ressaltou que "não houve negligência ou imperícia e o quadro infelizmente evoluiu para uma fatalidade". "Os exames vão apontar se a causa do óbito foi uma varicela ou dengue hemorrágica ou outra infecção na meninge", apontou.
A Secretaria Municipal de Saúde solicitou a Fundação que as cópias dos prontuários sejam encaminhadas em até 48 horas. "O caso será apurado com rigor e urgência e investigado desde a entrada da criança na UPA, até a sua transferência para o Hospital e sua permanência naquela unidade", garantiu o secretário, Charlles Bortolo.
"Se a minha filha tivesse recebido um bom atendimento, não teria sofrido como sofreu. Quero justiça para que outras crianças não sejam tratadas como ela foi. A gente vem em um hospital para salvar a vida e não para acontecer isso", lamentou Diana dos Santos.


