A família de Carla Regina Mostarchi, 32 anos, que morreu no último dia 5, vítimas de complicações após o parto, está acusando de negligência o Hospital Evangélico de Londrina (HEL). A queixa foi registrada no 4º Distrito Policial (4ºDP). No dia 30, ao entrar em trabalho de parto, o marido de Carla, o encarregado de serviços gerais Antônio Marcos Rodrigues, levou-a até a Maternidade Municipal. Segundo ele, por falta de incubadoras na instituição já que os bebês (gêmeos) nasceriam prematuros ela foi encaminhada para HEL, para ser atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Era a segunda gravidez de Carla. O primeiro filho tem seis anos. A família mora na Vila Casoni (área central de Londrina). Segundo a mãe, Anésia Rosa Mostarchi, o médico que atendeu Carla não quis fazer cesariana, o mesmo procedimento utilizado na primeira gravidez. Logo após o parto, Anésia informou que além de reclamar de muitas dores, a filha também sofreu hemorragia. A família acredita que o médico tenha deixado restos da placenta no corpo da mulher.
De acordo com a assessoria de imprensa do HEL, quando chegou no hospital, Carla já estava com a bolsa rompida e com seis centímetros de dilatação. Nestas condições, o médico obstetra responsável pelo parto que preferiu não se pronunciar optou por fazer parto normal. Os dois meninos nasceram prematuros (sete meses) e passam bem. O nome do médico não foi divulgado.
Ainda conforme o hospital, a mãe teve um problema raro de 'placenta acreta' (a placenta fica grudada no útero) e após perceber isso, imediatamente o médico teria tentado a retirada manual da placenta. Como Carla estava com muito sangramento, foi realizada uma 'histerectomia' (retirada do útero). Após a cirurgia, Carla foi direto para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e morreu no sábado. A assessoria do hospital informou que todos os procedimentos médicos e hospitalares utilizados foram corretos.
Insuficiência respiratória foi a causa da morte apontada no atestado de óbito. Anésia está inconformada: ''Minha filha chegou bem no hospital. Nunca teve problema algum durante a gravidez''. Segundo o delegado do 4º DP, Joaquim Antônio de Melo, o depoimento prestado pelo marido de Carla foi encaminhado para o Conselho Regional de Medicina.

mockup