Família acusa delegado de permitir fuga após homicídio
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segunda-feira, 07 de maio de 2001
Lúcio Flávio Moura De Santa Cecília do Pavão 
O mecânico Marivaldo Justino da Silva, 51 anos, está acusando a polícia de ter facilitado a fuga do principal suspeito de ter assassinado seu filho, o bóia-fria Walter Justino da Silva, de 18 anos, conhecido como Touro. É o segundo filho do mecânico assassinado em um período de 18 meses.
O primeiro foi Ademir Justino da Silva, o Doido, morto aos 21 anos na Prisão Provisória de Londrina (PPL), vítima de linchamento. Doido era acusado de sequestrar, estuprar, matar a menina Greice Melo, de 5 anos, e jogar seu corpo envolto em um saco plástico na rede de esgoto.
Walter, o irmão mais novo de Doido, foi morto na noite de sexta-feira com uma facada nas costas, quando estava próximo a um bar em Santa Cecília do Pavão (60 km ao sul de Cornélio Procópio), a 200 metros da delegacia. Segundo a família da vítima, a polícia ficou sabendo poucos minutos depois, mas que demorou cerca de 40 minutos para comparecer no local do crime. A Folha apurou que pelo menos 20 pessoas testemunharam o assassinato.
O dono de bar José Henrique dos Passos (idade ignorada), o Quebra-Queixo, apontado pelas testemunhas como autor da facada, está foragido. O homicídio teria sido o desfecho de uma briga que envolveu seu filho, o menor C.P., de 16 anos, com outro rapaz, no bairro da Fraternidade, um dos mais pobres da cidade.
Pela versão da companheira de Touro, a doméstica Maria Rosilda Prestes, 39 anos, o bóia-fria teria tentado intervir na discussão e foi agredido por C.P. Quebra-Queixo teria saído em defesa do filho, pegado uma faca e desferido o golpe quando a vítima partiu para a ofensiva. Touro ainda correu por 100 metros, mas tombou morto, com ferimentos no coração e no pulmão. Antes de morrer, ainda teria sido agredido com golpes de taco de sinuca na cabeça.
A família, que afirma ter visto várias vezes os dois suspeitos do crime em lugares públicos, acredita que haja desinteresse em prender Quebra-Queixo e seu filho, porque ambos tinham contato próximo com o assistente de segurança (delegado nomeado), Gerônimo Roque, que teria inclusive empregado temporariamente os dois em seu sítio.
Roque nega as acusações. Segundo ele, os dois estão sendo procurados pela polícia e a prisão só não teria sido efetuada no final de semana por falta de estrutura. Ele admite que Quebra-Queixo e C.P teriam trabalhado na fazenda do seu sogro como bóias-frias, mas refuta qualquer envolvimento mais estreito. Estou convencido que o pai é o autor e o filho é co-autor. Esta semana devo pedir a prisão preventiva de ambos. (Colaborou Érika Pelegrino)


