Família acredita em assassinato por causa de tentativas anteriores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de junho de 1998
James Alberti 
A família do andarilho Claudio Corrêa, que morreu queimado no domingo, não acredita que tenha ocorrido um acidente, hipótese levantada pela polícia de Araucária. Irmãos da vítima, o pedreiro José Corrêa, 48 anos, e a doméstica Maria Olívia Freitas, 51 anos, dizem ter certeza que Cláudio foi assassinado, a exemplo do que aconteceu em abril de 1997 com o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, em Brasília. Alguém mandou fazer isso (atear fogo), acusou José. Eles não queriam ele (Cláudio) ali, porque devia estar perturbando o ambiente e então fizeram isso.
A irmã da vítima jura que ele jamais iria deitar próximo do fogo. O Cláudio tinha horror a fogo. Nem fazer uma fogueira ele fazia, de medo. Ele não iria acender o fogo na churrasqueira e deitar do lado, afirmou Maria Olívia, que reconheceu o corpo no IML. O medo do andarilho, segundo ela, tem como causa duas tentativas de assassinato que ele teria sofrido anteriormente, ambas por fogo. Cláudio teria sido queimado na região do estômago, por um genro e pelo dono de um bar, há oito anos, dois anos depois de ter deixado a família porque era alcoólatra.
De família pobre, Maria e José não acreditam que os autores do suposto homicídio sejam presos. Estamos num país em que não existe justiça, principalmente para o lado dos pobres, disse José, que citou como exemplo o caso do índio Galdino. Queria ver se fosse o filho de um juiz... se os caras iam ficar soltos, comparou, referindo-se aos quatros garotos de classe média acusados de atear fogo em Galdino, segundo eles por brincadeira.
Cansada e sem fazer nenhuma refeição até às 18 horas de ontem, Maria Olívia, assim como José, quase viu o irmão ser enterrado como indigente. Desde que soube da morte, pelo rádio às 9h30, ela não parou de correr, de Curitiba para Araucária, em busca de documentos para a liberação do corpo. O drama da família só terminaria hoje, quando deve acontecer o enterro. Só depois, os familiares de Cláudio devem parar para pensar no que vão fazer para conseguir justiça. A gente vai tentar descobrir a verdade, disse José.


