Curitiba

Kraw PenasDesafioGuillerm, Jacqueline, Monique e Swanne vão tentar chegar à Antártida num veleiro de alumínio de 15 metrosNo próximo dia 1º de novembro, um veleiro vai deixar as águas da Baía de Guaratuba, no Litoral do Paraná, para uma aventura que, apesar de seu incontestável sabor, é apenas mais uma na vida de uma família. Não é uma família qualquer, é claro. Afinal, quantas pessoas estão há 14 anos morando em um barco, viajando pelo mundo?
O francês Philippe Guillerm, sua mulher Jacqueline e as filhas Monique, 11 anos, e Swanne, cinco, vão içar as velas para realizar um sonho: chegar à Antártida no Yaya, um veleiro de alumínio de 45 pés (cerca de 15 metros) e dois mastros.
No ano passado, a família fez sua primeira tentativa de chegar ao continente gelado. Os fortes ventos, no entanto, romperam um dos estais (cabos de aço que prendem o mastro ao convés) e ficou perigoso prosseguir.
Philippe Guillerm está no mar há tantos anos que nem se lembra mais quando tudo começou. O Yaya é seu quinto veleiro, comprado há três anos numa cidade litorânea no sul da França. Sua primeira aventura de larga distância foi com um veleiro de apenas 15 pés (4,60 metros), com o qual fez a travessia Marrocos-Ilhas Canárias.
Há 14 anos, Philippe e Jacqueline se conheceram na Guiana Francesa. Jacqueline estava trabalhando no país, foi convidada por uma amiga para uma festa a bordo e encontrou Philippe. Sem nenhuma tradição náutica na família, uma semana depois Jacqueline já havia se mudado para o veleiro, levando a pequena Monique, que tinha dois anos e meio. ‘‘Ficamos um ano e oito meses morando no barco, até juntarmos dinheiro para viajar’’, lembra Jacqueline.
Na expedição à Antártida, a família vai contar com a ajuda de dois tripulantes. Um é Arauto Freudenberger, velejador do Iate Clube de Caiobá - onde o Yaya ficou ancorado nos últimos seis meses, como cortesia do clube - e o outro, um velho amigo do casal, o francês Pierre Gromier. É Gromier, que mora em Paris, quem trata de promover na mídia as viagens da família Guillerm.
A primeira escala a partir de Caiobá é La Plata, próximo a Buenos Aires, na Argentina. Lá, o veleiro vai ser totalmente equipado. Novas velas, radar, balsa de sobrevivência, alimentação, motor mais sofisticado. Tudo isso está orçado em US$ 30 mil, integralmente bancados por empresas argentinas do setor náutico. É em La Plata que embarcam os tripulantes Freudenberger e Gromier.
Necochea, mais ao sul, é a próxima parada. A escala é para receber o especialista em filmes de aventura Juan Pablo Toledano, responsável pela filmagem de toda a odisséia antártica.
Na volta, pretendem completar o livro que Philippe está escrevendo, contando também as aventuras entre icebergs e pinguins. O livro deve ser editado no Brasil, já que, segundo o casal, o mercado para literatura náutica ainda é muito vasto. ‘‘Na França, são editados cinco livros por mês sobre navegação e aventura’’, garantem.
A idéia é alcançar Ushuaia, no extremo sul do continente, no final de dezembro. Logo depois do Natal, as 500 milhas que separam a cidade da Antártida pretendem ser percorridas em seis ou sete dias, se as condições de mar e vento permitirem.

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