Faltas de professores incomodam alunos da UEL
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terça-feira, 12 de setembro de 2006
Guilherme Borges<BR>Reportagem Local 
''Existem muitos alunos que não estão comprometidos, mas há quem está e estes merecem respeito'', reclama a aluna de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina, Pamela Beatriz Nogueira. A declaração se refere às faltas sem justificativas de alguns professores da instituição. A reportagem da Folha percorreu o calçadão da UEL, conversou com alunos e identificou que as queixas são frequentes, apesar de serem desconhecidas pelas chefias de departamento.
''No primeiro dia de aula, uma professora não apareceu e a gente ficou sem saber qual o motivo. Na outra semana ela veio e disse que não poderia dar aula naquele horário por motivos pessoais e que a gente deveria programar um horário alternativo. Será que isto está certo?', questiona o aluno do curso de Direito, Luiz Alfredo de Melo Rosa. Alunas do mesmo curso, que não quiseram se identificar, revelaram que o problema é crônico. ''Este ano está até melhor, só temos problema com um professor, mas no ano passado tivemos vários'', contaram.
Além das faltas, o atraso de alguns docentes também incomoda os alunos. ''Eu nem acho ruim que eles faltem ou se atrasem, porque isso pode acontecer. O problema é que as vezes a gente tem outras coisas para fazer e acaba perdendo tempo vindo para cá'', completa Nogueira. Entretanto, ela pondera que há professores que fazem questão de avisar - ''Alguns ligam de um por um da turma'' - e que a falta não está relacionada com má qualidade das aulas: ''(Alguns) são bons profissionais e ótimos professores''.
O vice-chefe do departamento de Música e Teatro, Mauro Rodrigues, é taxativo: ''Essa situação de faltas sem justificativas não acontece aqui. Temos poucos professores, alguns são de companhias de teatro, mas a gente se organiza e avisa os alunos''. Ele reclama, entretanto, da dificuldade de encontrar professores para o curso. ''Com o salário e as condições de trabalho, o complicado é trazer bons docentes para a nossa equipe''.
A situação é parecida no Departamento de Direito Privado. ''Eu desconheço esta situação de falta sem justificativa dos nossos professores. O que nós temos é falta de professor, porque para contratar está complicado. Todas as etapas do processo seletivo e de contratação têm que passar pelas mãos do governador'', afirma a chefe do setor, Marilia Falerno. Ela orienta, porém, que se situações como esta são comuns, é preciso que os alunos assumam a reclamação formalizando-a junto ao Departamento.
A sugestão é a mesma da presidente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), Inez Almeida, que defende que os estudantes registrem suas reclamações para que a instituição possa buscar soluções. ''A UEL tem meios para fazer isso'', garante. Um deles é a Ouvidoria da universidade, que atende em horário comercial e através de formulário eletrônico disponível na internet.
Inez ressalta apenas, que ''é preciso que se identifique quem são estes professores descomprometidos, porque eles são minoria e não podem atrapalhar o trabalho de construção da universidade, que é feito pela maioria''. Para isso, ela argumenta que é necessário que os alunos registrem as queixas.
A UEL tem 43 cursos de graduação, distribuídos em 56 departamentos, que por sua vez, estão agrupados em nove centros de estudo. O controle de presença dos professores é feito através de ficha-ponto e está a cargo da chefia de cada departamento, conforme prevê o artigo 127, do regimento geral da instituição. De acordo com a assessoria de comunicação da UEL, a pro-reitoria de Recursos Humanos só recebe as fichas mensalmente para viabilizar os pagamentos. A instituição tem 13.900 alunos e 1.653 professores.
Serviço
Ouvidoria da UEL
Telefone - (43) 3371 5850
Atendimento em horário comercial ou por fomulário eletrônico disponível em www.uel.br


