Faltam vagas, sobram reclamações dos motoristas deficientes
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quarta-feira, 01 de junho de 2005
Karla Matida<br> Reportagem Local 
Desde que sofreu um acidente há dois anos e meio, o PM aposentado João Ribeiro Andrade tem dificuldades de locomoção. Além do traumatismo craniano, também sofreu uma fratura de quadril que exige uso de cadeira de rodas. Depois de muita fisioterapia, já consegue ter certa independência de movimentos. Outro avanço foi a compra de um automóvel adaptado no início do ano.
Em quase seis meses dirigindo pela cidade, Andrade notou que o número de vagas para portadores de deficiência é reduzido, principalmente no Centro. No dia 19, com questões de banco a resolver por conta da pendência com a aposentadoria forçada por causa do acidente , ele precisou estacionar na única vaga disponível que encontrou no quarteirão da Avenida São Paulo (área Central). Era a vaga destinada exclusivamente a carros de transporte de valores.
''Olhei para ver se havia algum agente de trânsito por perto para eu explicar a minha condição, mas não havia'', conta Andrade. ''Passei 15 minutos no banco e quando voltei, tinha sido multado'', lembra. ''Fui até a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) e me disseram que eu deveria entrar com recurso. Mas se eu fizer isso vou admitir que estava errado e não estava. Eu não reconheço essa multa e quero a anulação'', diz o PM aposentado.
''Fui avisado que o departamento jurídico da CMTU não acatou o meu pedido. Mas vou procurar um advogado e tenho a certeza de que vou ganhar essa causa'', avisa. ''É uma falta de consideração com a minha condição'', explica Andrade, que reclama tanto do agente de trânsito, ''que nem deve ter olhado o adesivo no carro (da Adefil)'', quanto da CMTU.
Além das poucas vagas para portadores de deficiência na cidade, João Ribeiro também lembra que muitas pessoas acabam utilizando os estacionamentos específicos sem ter necessidades especiais.
A multa por estacionar irregularmente é de 120 UFIRs e ainda acarreta cinco pontos na carteira de habilitação.
O diretor de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Junior, afirmou que o fato de Andrade ser deficiente não o exime de cumprir os artigos previstos no Código de Trânsito. ''A regulamentação vale para todos'', reforçou. Ele esclareceu que o selo da Adefil não garante aos portadores de necessidades especiais o direito de estacionar em local proibido.
Grotti concordou que existe a necessidade de haver mais vagas para deficientes no anel central. Atualmente, há no máximo cinco espaços reservados para esse fim. Os locais foram apontados pela Adefil, que escolheu áreas onde o trânsito de deficientes seria maior.
O diretor revelou que técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) estão revisando a sinalização de todo o anel central. ''Vamos reservar mais vagas para os portadores de necessidades especiais'', adiantou. (Colaborou Carolina Avansini)


