Encontrar vagas para estacionar nas ruas de Londrina é uma verdadeira loteria. O Estatuto do Idoso facilita esta condição determinando que 5% das vagas disponíveis sejam reservadas para a terceira idade. A lei de Acessibilidade 10.048/2000 também garante aos deficientes físicos este benefício com 2% das vagas direcionadas a eles. No entanto, o fato de as leis existirem não significa que elas sejam cumpridas.
Em Londrina, a Alameda Miguel Blasi, na Área Central, possui 142 vagas (transversais e horizontais), nenhuma delimitada para idosos ou deficientes. Se o município seguisse a lei, apenas nessa área deveria ter sete vagas para idosos e duas para deficientes. Na avenida Rio de Janeiro, no trecho entre a Alameda Miguel Blasi e a Rua Pará há 33 vagas disponíveis, nenhuma exclusiva para idosos ou deficientes. No mesmo trecho da Avenida São Paulo são 41 vagas (contando apenas o estacionamento transversal), sendo três exclusivas para a Guarda Municipal, uma para idosos e outra para deficientes. Estas são as únicas vagas para idosos e deficientes encontradas nas ruas próximas à Catedral. Para utilizá-las é necessário ter o cartão que identifica a condição do motorista ou do passageiro.
Na opinião do artesão Afonso Werlang, 71 anos, deveria haver pelo menos uma vaga para idoso em cada quadra na Área Central. ''É difícil encontrar lugar para estacionar. Só sei de um lugar no Centro que tem essa vaga e acho insuficiente'', disse.
Para Osvaldo Rocha, 80 anos, as áreas públicas deveriam seguir o exemplo dos empreendimentos particulares. ''Eu nem sabia que tinha vaga pra idoso estacionar aqui no Centro. Mais vagas como esta iriam facilitar a nossa vida'', concluiu.
O advogado Luiz Carlos Bortoletto, 61 anos, tem dificuldade de locomoção e utiliza documento que dá direito ao uso da vaga exclusiva. Segundo ele, falta atenção a este público. ''Estas vagas estão longe dos bancos, cartórios e do Calçadão, ficam complicado chegar a esses lugares'', argumentou. Ele acrescentou que além de poucas as vagas não facilitam a acessibilidade. ''Aqui não há sinalização vertical, rampa para acesso à calçada e nem espaço adequado para um cadeirante se movimentar ao lado do carro. A instalação das vagas deveria 'ter o pacote completo''', finalizou.
Uma funcionária da Zona Azul disse à reportagem que pouca gente respeita as vagas exclusivas. Quando os atendentes pedem para para retirar o carro, a dos motoristas argumenta que a parada é rápida e acaba mantendo o veículo estacionado irregularmente. ''Neste caso a gente não pode fazer nada'', disse.
O coordenador do serviço de estacionamento rotativo Zona Azul, Wellington Luiz Marcatti, disse que a função dos atendentes é orientar o usuário a utilizar a credencial de idoso ou deficiente. ''A definição destas vagas compete à CMTU e ao Ippul. Nós apenas fazemos a fiscalização'', disse.

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