A busca pela igualdade de oportunidades é tema da Semana Nacional do Excepcional, que começou no dia 21 e termina hoje. Porém, essa oportunidade, que instituições como o Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Londrina (Apae) lutam para oferecer, nem sempre está à disposição de quem a procura. Em Londrina, tanto o Ilece quanto a Apae têm cerca de 70 pessoas à espera de uma vaga. Provavelmente a grande maioria dos nomes se repita nas duas listas (mesmo porque uma instituição costuma indicar a outra quando não tem vaga), mas é certo que pelo menos 70 pessoas com deficiência mental, principalmente jovens e adultos, estão fora dessas instituições por falta de oportunidade.
''A gente fica feliz em ver que a pessoa foi atrás, reconhece que ela veio ao lugar certo, mas que não temos vaga. Isso é muito doído, fico até constrangida, porque sei que a pessoa vem até aqui com uma esperança e uma expectativa muito grande. É desolador'', confessa Vera Lúcia de Mello, coordenadora da sub-sede do Ilece, que atende alunos a partir de 14 anos. Vera observa que a procura tem aumentado nos últimos tempos, em parte por conta de uma maior conscientização por parte dos pais. Ao completar 14 anos, a criança atendida pelo Ilece é automaticamente transferida para a sub-sede, o que dificulta ainda mais a abertura de novas vagas para adultos. A sub-sede do Ilece atende hoje 170 pessoas.
O constrangimento é compartilhado por Solange Aparecida de Jesus Piveta, coordenadora do setor de clínicas da Apae. ''Este ano conseguimos um acréscimo de 10% nos alunos, e convocamos alguns que já estavam há dois, três anos na espera'', revela. Para ela, seria preciso que o poder público investisse na ampliação das instituições existentes para poder receber mais excepcionais. ''É um processo demorado, é preciso apresentar projetos. No início do ano passado conseguimos ampliar em três salas, mas ainda é pouco, a demanda é muito grande'', conta.
Segundo as duas educadoras, hoje, uma grande preocupação das instituições é como encaminhar os alunos mais velhos. ''É preciso criar urgentemente um centro de apoio para essas pessoas com mais idade, com trabalho ocupacional e atividades físicas específicas'', sugere Solange.
Enquanto na infância o acompanhamento dos profissionais dessas escolas contribui para um melhor desenvolvimento, nos adultos as atividades ajudam principalmente na auto-estima, relações sociais e até profissionalização. Vera conta que muitas famílias que procuram o Ilece para matricular um filho adulto o fazem por perceber que faz mal deixá-lo ocioso em casa. ''Sem uma ocupação, o deficiente pode desenvolver até uma doença mental'', alerta, acrescentando que, na instituição, ele vai participar de atividades físicas e ocupacionais que contribuem para melhorar a auto-estima.

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