Faltam vagas nos cemitérios municipais
Curitiba - As famílias da Capital que não possuem túmulos têm dificuldade para enterrar seus parentes e precisam buscar cemitérios particulares ou realizar os sepultamentos em municípios da região metropolitana. Os quatro cemitérios municipais da cidade possuem, juntos, área de 324,8 mil metros quadrados e 31,5 mil jazigos, mas não há nenhum lote disponível para concessão.
A situação não é diferente em outras cidades de médio e grande porte do Estado, que estão com um urgente problema para ser resolvido: a falta de espaço para construção de túmulos nos cemitérios municipais. Com o passar dos anos, os locais foram espremidos pelo aumento da população e hoje não têm mais para onde crescer, enquanto o número de sepultamentos sobe. Nem quem comprou terreno no passado está tranquilo. Nos municípios contatados pela FOLHA, a situação beira a calamidade e a saída emergencial foi usar ruas internas, muros ou qualquer outra sobra de terra para atender à demanda.
O cemitério mais antigo de Curitiba é o São Francisco de Paula, mais conhecido como Municipal, criado em 1866. Foi construído na chácara que pertencia ao vigário da Catedral Metropolitana, Agostinho Macedo de Lima, quando a proibição dos enterros junto às igrejas foi efetivada no Estado. O primeiro sepultamento registrado foi de uma criaça de nome Maria, em 1º de janeiro de 1883. Hoje, são quase 68 mil sepultados nos 5,7 mil túmulos existentes no espaço e não há lotes disponíveis para concessão.
No maior cemitério da Capital, o Santa Cândida, que tem área de 132 mil metros quadrados e 8 mil túmulos, também não há espaço para novos jazigos. Situação que se repete nos outros espaços municipais de Curitiba.
De acordo com o Serviço Funerário Municipal, ligado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a lista de espera para uma concessão de túmulos é de aproximadamente 3,5 mil pessoas. Devido ao grande número de famílias esperando, a prefeitura encerrou o cadastro.
Para diminuir a fila, no ano passado, a prefeitura realizou um levantamento no Cemitério Água Verde que resultou na concessão de 500 túmulos que estavam abandonados a novas famílias. Neste ano, o procedimento será realizado no Cemitério Municipal, o que deve abrir 300 novas concessões para pessoas na lista de espera.
Em São José dos Pinhais, a cidade mais populosa da região metropolitana, os oito cemitérios municipais, 6,5 mil túmulos no total, também estão lotados. A prefeitura estuda ampliar duas outras áreas, Borda do Campo e Campo Largo da Roseira, mas ainda não há previsão para o início das obras. Enquanto isso, a população precisa procurar um dos quatro empreendimentos particulares ou dos sete comunitários existentes na cidade.
Em Ponta Grossa há 20 cemitérios, entre municipais e particulares. No total, são mais de 39 mil túmulos na cidade, que realiza, em média, 200 sepultamentos por mês. No entanto, nos cemitérios urbanos, as vagas para novos lotes estão no fim. No maior da cidade, o Vicentino, há cerca de mil vagas disponíveis. Já no Santo Antônio existem apenas 20.
Em Londrina, só em dois dos cinco cemitérios municipais ainda há terrenos disponíveis. O da Saudade pode ser ampliado. Além disso, dois empreendimentos privados serão construídos em dois anos e meio e o município terá mais 2,7 mil vagas. Conforme a superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), Camila Zulian, estão sendo construídos mais 300 jazigos no Jardim da Saudade e existe espaço físico para mais 600. Em Londrina, a média é de dez sepultamentos por dia.
Em Maringá, o planejamento feito, quando da criação da cidade, permitiu sobra de espaço no único cemitério municipal. A prefeitura vai gastar quase R$ 400 mil para criar 1,4 mil novas vagas, afirmou o secretário de Serviços Públicos, Vagner Mússio.





