Faltam vagas nas casas de apoio
Jaguapitã - Moradores de rua e pessoas rejeitadas pela família são acolhidos com alegria no Recanto Casa de Maria, em Jaguapitã (Região Metropolitana de Londrina). O local é o único da RML que recebe pacientes com HIV e pessoas em estágio já avançado da doença. Os 60 portadores do vírus atendidos no espaço foram encaminhados pela rede de saúde dos municípios e participam de atividades internas para compartilhar experiências.
Jorge (nome fictício) dormia na Concha Acústica em Londrina. Há 20 anos ele descobriu que é portador do HIV. "Tive medo de morrer, mas agora estou bem", resumiu. Ele ajuda nas tarefas diárias e passa roupas dos outros pacientes. "Eu gosto do que eu faço. É bom para ocupar a cabeça", disse animado.
O imóvel onde funciona o recanto era um antigo seminário adquirido pela idealizadora do projeto, Regina Célia Almeida. Formada em Serviço Social, ela fundou a Casa de Maria em Londrina. O objetivo era fornecer assistência a pessoas envolvidas com álcool e drogas. "Muita gente procurava ajuda para portadores de HIV e nós começamos a pensar nessa proposta."
Segundo dados do Ministério da Saúde, há apenas dez casas de apoio em todo o Paraná. No entanto, na classificação tipo 2, que recebe pacientes com HIV e em estágio mais avançado da doença, há apenas três entidades - em Jaguapitã, em Curitiba e em Umuarama.
Uma psicóloga, um assistente social e técnicos de enfermagem fazem parte da equipe. "A gente repassa orientações sobre o tratamento, viabiliza o transporte para consultas médicas e ensina sobre a responsabilidade que eles devem ter para não retransmitir o vírus", destacou o coordenador Alexssander Bezerra da Silva. A maioria dos atendidos não permanece como interno e tem liberdade para ir e vir.
Pacientes do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e até da Argentina são atendidos no local. O grande desafio da instituição é a falta de recursos. "Recebemos R$ 500 por paciente a cada mês, mas gastamos R$ 1,3 mil em média. As doações nos ajudam a manter o recanto", afirmou Regina.
Em Londrina, a coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis DST/Aids, Regina Cortez, destacou que R$ 680 mil/ano em recursos federais são repassados ao município para as ações de enfrentamento. A coordenadora do Programa Estadual de Controle DST/Aids e Hepatites Virais, Elisete Ribeiro, disse que mais de R$ 9 milhões dos governos federal e estadual devem ser destinados aos municípios do Paraná até o final deste ano. (V.C.)





