Jandaia do Sul - Famílias com pessoas que sofrem de doenças mentais enfrentam uma série de outros problemas além daqueles inerentes ao tipo de doença. O tratamento é prejudicado pela falta de hospitais, médicos e remédios. Um exemplo pode ser observado no Hospital Regional do Vale do Ivaí, em Jandaia do Sul (Norte). A instituição recebe dezenas de ligações por dia de todas as regiões do Paraná, a maioria em busca de internação. E a resposta quase sempre é a mesma: ''não há vagas''.
O hospital mantém a maioria de seus 280 leitos permanentemente ocupados e, quando surge uma vaga, tem que priorizar os pacientes das regionais de Saúde de Apucarana, Ivaiporã e Telêmaco Borba, por determinação da Secretaria de Saúde do Estado. O diretor-executivo do hospital, José Roberto Campaner, cita que entre as cidades que procuram o hospital com maior frequência estão Cascavel (Oeste), Guarapuava (Centro) e Maringá (Noroeste).
De acordo com Campaner, a situação vem se agravando desde o início da década passada, quando o Ministério da Saúde criou o Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Também houve redução do número de leitos destinados a tratamento mental em todo o País. No Paraná, o número de leitos caiu de 4 mil para menos de 1,5 mil neste período. As medidas fazem parte da reforma psiquiátrica iniciada pelo MS.
''O governo federal investiu muito dinheiro no Caps e eles não funcionam como deveriam por falta de mão de obra especializada'', critica. E segundo ele, por falta de perspectivas na carreira, é pequeno o número de médicos que se especializam em psiquiatria.
Para Campaner, é difícil falar sobre os índices de recuperação de pacientes com transtornos mentais porque a doença não pode ser comparada com outros tipos de enfermidades e exige um acompanhamento permanente da família.
''A primeira coisa que a gente pergunta (quando é solicitada uma internação) é quem vai acompanhar, visitar, receber as orientações. O paciente de primeiro surto se recupera bem se orientado, se a família estiver ciente da doença e se tomar a medicação da forma correta. Se for feito tudo direitinho, o paciente não se reinterna mais.''
O hospital atende também pacientes alcoóltras, mas não o viciado em drogas. Segundo Campaner, o dependente químico deve ser tratado em separado, sem se misturar com o doente mental e ou o alcoólatra, porque a recuperação do drogado demora pelo menos seis meses. ''É um tratamento longo e custa muito caro; por isso, o Ministério da Saúde não credencia hospitais para atendimento pelo SUS'', afirma o diretor.
Equívoco
A psiquiatra Marilu da Silva Stock, que trabalha no hospital, acompanha o tratamento de pessoas com doenças mentais há 31 anos. Ela afirma que não houve um aumento exagerado do número de pacientes com doença mental, mas com a redução do número de vagas nos hospitais, as famílias não têm mais para onde encaminhar seus doentes, o que causou o aumento da procura nos poucos hospitais psiquiátricos que ainda restam.
Ela critica o conceito adotado pelo Caps, criados para reduzir o número de internação. Segundo ela os centros foram criados sem a estrutura necessária para atender a demanda.

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