A prescrição sem critérios e a falta de controle na distribuição de medicamentos, principalmente aqueles receitados para pacientes que fazem tratamento do Sistema Nervoso Central (SNC), está provocando a falta de remédios destinados para saúde mental pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) para Londrina.
Pelo segundo mês consecutivo, a empregada doméstica Claudinéia Soares Trindade ficou sem o medicamento Diazepan. ''No mês passado vim aqui buscar e não tinha. Hoje, não tem novamente. Eu não sei o que vou fazer porque não tenho dinheiro para comprar e também não posso ficar sem esse remédio'', disse.
A farmacêutica Elizabete Karolenski, uma das responsáveis pela farmácia do Cismpear, admite que a falta de um controle eficaz vem resultando na distribuição inadequada dos medicamentos. ''O problema é quem tem paciente que vem aqui mais de uma vez por mês, com receitas de médicos diferentes, buscar um mesmo tipo de remédio. Isso acaba prejudicando outras pessoas que precisam'', disse.
A direção da 17ª Regional de Saúde informou que está sendo realizado um cruzamento de informações junto a Secretaria Municipal de Saúde para evitar problemas na distribuição de medicamentos. Até o final do mês que vem o cadastro deve estar concluído.
O secretário de Saúde, Silvio Fernandes, disse que não tinha conhecimento sobre a falta de medicamentos para saúde mental no Cismepar. Ele disse que iria se informar sobre o assunto. A presidente do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, Célia Fernandes da Cruz, ressaltou que falta conscientização por parte de alguns médicos que preescrevem medicamentos controlados sem avaliar criteriosamente os pacientes. ''Tem muita gente que toma remédios controlados a vida inteira. Muitos médicos deixam de tentar uma outra alternativa para o tratamento. Outros ainda receitam esses remédios para qualquer pessoa'', afirmou. (E.M.)

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