Pelo menos cinco medicamentos, alguns deles de uso controlado, estão em falta na farmácia da Secretaria Municipal de Saúde. Entre eles está o Ritalina 10mg (cloridrato de metilfenidato), utilizado no tratamento de transtorno de déficit de atenção (hiperatividade). Segundo informações obtidas na farmácia a situação só deve se normalizar no início da janeiro.
A ausência do remédio preocupa a dona de casa Maria Aparecida Moreira de Oliveira, mãe de dois garotos hiperativos. Juntos, os irmãos utilizam pouco mais de quatro caixas do medicamento por mês, mas estão com o tratamento suspenso há cerca de três semanas. ''Cada caixa custa R$ 15,00, e a gente pega uma receita por mês, então se for comprar tem que ser tudo de uma vez. Eu não tenho condições. Meu marido é pedreiro autônomo e ganha no máximo um salário mínimo por mês'', explica Maria Aparecida. O casal tem quatro filhos, e os que necessitam de Ritalina têm 11 e 9 anos.
Segundo a mãe, os meninos ficam bastante agitados sem o remédio. ''O mais velho já melhorou bastante na escola, e reprovou só um ano. Já o mais novo ficou de recuperação. Parece que ele está sempre ligado em uma tomada de 220 volts. Tem hora que eu perco a paciência com ele'', revela a dona de casa, lembrando que o medicamento não tem genérico e também não há possibilidade de manipulação.
Além do Ritalina, estão em falta na farmácia da Vila da Saúde os medicamentos Periciazina 4% (calmante), insulina regular (diabetes), Prometazina 25mg (para enjôos e anti-alérgico) e Levodopa + Carbidopa (tratamento de Mal de Parkinson). Os dois primeiros também são controlados.
O secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, informou que o atraso na aquisição dos remédios aconteceu porque o processo deve ser feito pelo pregão eletrônico do Banco do Brasil, por utilizar recursos do governo federal. ''Trata-se de um processo grande de licitação, que envolve vários produtos, e o sistema é lento. Temos que esperar sair todas as atas (registros de preços) para poder homologar e só então empenhar'', explica.
De acordo com Dias, se não houver contratempos, no final da semana que vem os medicamentos serão entregues na farmácia. ''Já tínhamos imaginado que ia faltar (os remédios), pela demora do processo licitatório'', disse o secretário. Ele informou que o estoque que está sendo adquirido deve durar até junho de 2008, e para evitar que novos desabastecimentos aconteçam no futuro, novos pregões devem ser iniciados em abril.

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