Maigue Gueths
Silo Lessa está com um problema na bexiga, chegou às 5 horas na fila de solicitação de consultas do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, mas só conseguiu marcar hora com um urologista para 2 de janeiro de 2000. Ivone da Silva Quintino teve mais sorte. Enfrentou o frio da madrugada curitibana desde as 2h45 na fila, mas acabou garantindo uma consulta com um dermatologista para o próximo dia 9 de julho. Na sala de espera do Pronto Atendimento (PA), adultos e crianças passam pela triagem, fazem carterinha e aguardam o momento de serem atendidos. Quando chega a vez, é comum faltar medicamentos, luva, soro e, pior, leitos, obrigando quem precisa de internamento a esperar por uma vaga.
Na manhã do dia 25 de junho, uma sexta-feira, o Pronto Atendimento do HC segue uma dura rotina, que leva diariamente cerca de 400 pessoas às suas filas e bancos de espera. No maior hospital público do Sul do País, entretanto, a ‘‘situação está caótica’’, segundo os próprios médicos, que preferem não se identificar para evitar problemas funcionais. ‘‘É difícil termos remédio para dar aos pacientes, por isso, muitas vezes recorremos às amostras grátis. Estes dias não tinha nenhum antitérmico oral, aí nós ligamos para todos os laboratórios até conseguir. Agora temos um estoque de novalgina que vai garantir até o final do ano’’, diz uma médica da pediatria.
Maria Aparecida de Almeida Ignácio, 46 anos, não sabia o que fazer para comprar o antibiótico receitado para sua inflamação do ouvido. Usando uma cadeira de rodas porque não pode andar, Maria Aparecida contou que mora com a mãe, e juntas recebem R$ 260,00 entre pensão e aposentadoria. ‘‘Uma paga o aluguel, outra a comida. Não sobra para o remédio’’, queixava-se. A farmácia do hospital também não dispunha do medicamento.
O diretor de Serviços Médicos do HC, Niasy Ramos Filho, diz que a situação já não é mais tão grave. ‘‘Alguns itens continuam faltando, alguns medicamentos também, mas o hospital já comprou a maioria dos insumos e medicamentos que estava em falta’’, diz. Na fase mais grave de falta de material, o hospital chegou a ter uma quebra de 30% em sua lista de seis mil itens. ‘‘Isto significa que não tínhamos 1.800 produtos que usamos normalmente’’, informou.
Os profissionais que trabalham no PA, entretanto, dizem que o problema persiste, principalmente no atendimento aos adultos. ‘‘Chega alguém com infarto, com pressão alta e não tem medicamentos para baixar’’, alerta outro médico, lembrando que o setor cirúrgico também está um caos: falta soro, luva, fio de sutura.O hospital atende 734 mil pacientes por ano. Metade são de Curitiba, 43% vêm do interior do Paraná 7% de outros estados
Mauro FrassonEsperaO Pronto Atendimento do HC recebe 400 pacientes por dia. As filas são enormes e as consultas muitas vezes demoram. Apesar disso, Elisete Lourenço prefere levar a pequena Larissa ao hospital porque o atendimento é bom

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