Faltam políticas de integração na RMM
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quinta-feira, 04 de junho de 2009
Giancarlo Franquini<br>Especial para a Folha 
Maringá - Criada oficialmente há mais de 10 anos, a Região Metropolitana de Maringá (RMM) ainda não saiu do papel, na opinião da professora da UEM (Universidade Estadual de Maringá) e coordenadora do Observatório das Metrópoles, Ana Lúcia Rodrigues. Para ela, não existem políticas públicas de integração entre os 13 municípios da RMM e todos acabam formatando projetos que não levam em consideração o desenvolvimento regional.
Hoje, às 16 horas, na UEM, o Observatório das Metrópoles apresenta uma pesquisa sobre os municípios da RMM. O trabalho se transformou em livro e mostra as diferenças entre os municípios e como Maringá centraliza grande parte da população e também da riqueza. ''É um trabalhado detalhado que mostra o perfil da população, sua condição social e a estrutura de cada município'', explica.
Apesar dos números usados terem sido tabelados levando em conta o Censo de 2000, a professora afirma que as percentagens não se alteraram. Ela estima que hoje a RMM abrigue cerca de 570,6 mil pessoas. A pesquisa também revela que os municípios de Sarandi, Paiçandu e Mandaguaçu têm índices de crescimento populacional acima dos de Maringá. Sarandi registrou 5% de crescimento ao ano, Paiçandu 4%, Mandaguaçu 3% e Maringá 2%.
Na visão da pesquisadora, o dado mais preocupante é o fato de alguns municípios estarem diminuindo, como Ângulo, Itambé, Ivatuba e Doutor Camargo. Isso mostra que não existe uma integração entre os municípios e sequer projetos para fortalecer toda região.
Segundo ela, com base na pesquisa é possível afirmar que hoje existe um ''exagero na quantidade de municípios dentro da RMM, devido à falta de identidade entre eles''. Hoje, são 13 cidades, mas existe um projeto de lei tramitando na Assembléia Legislativa para inserir mais oito cidades. ''O número atual já é grande. Acredito que a primeira formação com sete municípios seria o ideal para criar uma política metropolitana de desenvolvimento'', argumenta.
Dentro da RMM, apenas Sarandi, Maringá e Paiçandu têm áreas de conurbadas, onde os limites das cidades se fundiram. São essas três também que registram o maior índice de integração e concentram quase toda população. No restante da RMM isso não existe e faltam até linhas de transporte que facilitem o acesso da população mais carente.
O observatório identificou que cerca de 50% da população de Sarandi vai diariamente para Maringá para trabalhar ou estudar. No caso de Paiçandu, o número chega a 45%. Mesmo assim, um projeto de integração de transporte coletivo entre as três cidades acabou engavetado. ''Nas cidades da RMM temos políticas localistas, não temos discussões que envolvam todas as cidades'', frisa.
Ainda em relação a Sarandi e Paiçandu, Ana Lúcia explica que as cidades concentram os trabalhadores sem mão de obra qualificada, que atuam em Maringá. Para ela, as duas cidades registraram os maiores índices de crescimento nos últimos anos por uma questão de exclusão. Sem renda suficiente para morarem em Maringá, acabaram migrando para as cidades vizinhas. A reportagem procurou a administração de Maringá, mas até o fechamento da edição não houve retorno.


