A juventude de Arapongas - ou pelo menos grande parte dela - enfrenta uma realidade cada vez mais enfadonha. É uma coisa engraçada e ao mesmo tempo intrigante. Enquanto os jovens de outras cidades, não necessariamente maiores que a Cidade dos Pássaros, desfrutam de muitas opções de entretenimento, frequentando cinemas, teatros, barzinhos com música ao vivo e restaurantes, a juventude araponguense se contenta basicamente com duas opções. Ou fica passeando de automóvel pela avenida central da cidade, ou fica, não se sabe fazendo o que, parado em um posto de gasolina qualquer.
O mais estranho disso tudo é o comodismo velado dos jovens da cidade que, talvez já cicatrizados com a condição, não movem uma palha sequer para mudar. A avenida se torna uma passarela de automóveis de todas as marcas possíveis desfilando para quem sabe no final do trajeto receber algum prêmio. O pior é que na maioria da vezes o carro é do pai e a gasolina idem. Quem não conhece a cidade e sente vontade de conferir sua vida noturna vai se decepcionar amargamente. Eventualmente, uma casa noturna promove alguma festa que mexe com a juventude, mas o roteiro é sempre o mesmo: música eletrônica e muita bebida.
Os jovens que já se cansaram da rotina - ou que preferem nem sequer experimentá-la - e os adeptos a um estilo mais tranquilo de programa precisam sempre se deslocar e pegar a estrada até uma cidade mais próxima como Londrina e Maringá. Um lugar agradável para um bom papo, com som ao vivo, desprovido de sons ensurdecedores, Arapongas fica devendo. Eventos culturais nem se fala. Podem até alegar que isso é conversa furada ou papo de velho e careta, mas fica a dica para investidores em potencial.
Arapongas abriga - não faz muito tempo - uma grande universidade com milhares de estudantes. O mínimo que se esperava deles é que dessem um perfil mais criativo à cidade, muito desenvolvida industrialmente, mas limitada culturalmente. Mas ainda é tempo de mudar. É preciso também que os órgãos públicos mostrem serviço e levem à cidade eventos culturais edificantes. A Secretaria de Cultura pode contribuir muito para essa mudança de perfil. O velho e charmoso teatro Oduvaldo Viana Filho, o ''Vianinha'', infelizmente subutilizado, pode reviver grandes momentos de sua vida e abrigar importantes eventos. Quem sabe até o nostálgico Cine Mauá pode voltar à ativa.

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