Faltam lixeiras e sobra sujeira nas ruas
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quinta-feira, 06 de junho de 2002
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
O que fazer com uma latinha de refrigerante vazia, um palito de sorvete, papéis que já foram lidos ou até mesmo com restos de um lanche que foi consumido na rua? A resposta óbvia seria jogar no lixo. Mas, em Londrina, isso não é tão simples. O que poderia ser uma tarefa fácil e até um exercício de cidadania, jogar o lixo no lixo, é praticamente impossível nas principais ruas da cidade. A falta de lixeiras, em alguns casos, e a falta de manutenção delas, em outros casos, faz com que os mais desavisados acabem elegendo o chão como lixeira. Os cidadãos mais conscientes acabam carregando o lixo para casa.
A Folha percorreu algumas das principais ruas do centro da cidade, como Souza Naves, Duque de Caxias, Rio de Janeiro e o Calçadão. O único local onde há lixeiras compatíveis com o fluxo de pedestres é o Calçadão. Na Rua Souza Naves e na Avenida Rio de Janeiro é possível andar três ou quadro quadras sem encontrar sequer uma lixeira, inclusive nas ruas transversais. Na Avenida Duque de Caxias, a maioria das lixeiras está com o fundo quebrado.
Na quadra do hospital Santa Casa, as lixeiras estão ali, mas transbordando de lixo, o que não adianta muita coisa, já que as pessoas praticamente continuam sem local para jogar o lixo. É um descaso, antes a prefeitura recolhia o lixo de duas a três vezes por semana. Agora, chega a passar duas, três semanas e até um mês sem que a lixeira seja recolhida. Eu já cheguei a tirar o lixo para não sujar a frente da minha lanchonete, reclama o comerciante Ademir Toneto.
Ontem, depois de consumir um lanche, as diaristas Maria Auxiliadora Pereira, de 39 anos, Carmem Marinho Longo, de 54 anos, e a dona de casa Liduine Maria Pereira, de 58 anos, guardaram os restos de papel numa sacola para jogar o lixo em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). A gente procurou, mas não achou lixeira. Nesse caso, o melhor é colocar o lixo na bolsa e levar para casa, constatou Maria Auxiliadora.
Em frente a uma lixeira furada na Avenida Duque de Caxias, o aposentado Osvaldo Minto, de 70 anos, reclama: Nessa situação, a gente vai colocar o lixo onde?.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, lembrou que na administração passada teria sido realizada uma licitação para para compra de três mil lixeiras. Segundo o Ministério Público, a licitação foi fraudulenta e o dinheiro teria sido desviado. Sabemos que falta lixeiras na cidade, mas isto está vinculado com nossa capacidade financeira, disse. Segundo ele, no próximo semestre, um projeto de vincular propagandas, deve financiar a colocação de lixeiras nas ruas. A limpeza das lixeiras depende da conclusão da licitação para o recolhimento do lixo.


