Faltam lixeiras e sobra lixo nas ruas
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Uma cena comum em filmes americanos é a pequena e bucólica cidadezinha do interior. Chama a atenção pela limpeza. Lixo jogado na rua, aliás, não faz parte da paisagem nem mesmo de grandes metrópoles, na maior parte dos países de Primeiro Mundo. Bem diferente das cidades brasileiras. É raro encontrar uma localidade onde andar pelas ruas não signifique dividir espaço com o lixo. Calçadas limpas, que deveriam ser regra, são exceções.
Londrina não escapa a esta realidade. Uma situação que é resultado da combinação entre falta de educação e número inadequado de lixeiras.
Em um passeio pela Área Central fica evidente o déficit de cestos. Em especial em trechos de intenso movimento, como as proximidades do Terminal Urbano e do Calçadão. A própria Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) reconhece que a quantidade não é a ideal.
Por outro lado, de nada adianta o poder público investir na colocação de mais e mais lixeiras se não houver colaboração da comunidade. Assim como os cestos são artigos raros em determinados trechos do Centro, não é difícil achar lixo jogado nas calçadas exatamente ao lado das lixeiras.
Outro ingrediente que contribui para a manutenção da sujeira nas ruas é o vandalismo. A quantidade de lixeiras quebradas por quem destrói pelo simples prazer de destruir preocupa a CMTU. A estimativa do órgão é que a falta de cestos na cidade poderia ser resolvido em três meses se não houvesse o custo do conserto daqueles que são danificados. Além das lixeiras entram nesta conta a recuperação de outros equipamentos públicos, como postes, luminárias, orelhões.
Quem está no ''olho do furacão'' tem consciência que a destruição indiscriminada é um dos grandes complicadores para o acúmulo de lixo na Área Central da cidade. Proprietário de loja na Rua Sergipe há 18 anos, José Ary Martire, 60, avalia que o número de lixeiras é suficiente e o que falta é colaboração da população. ''Quem joga lixo no chão faz isso por hábito. Não adianta. As equipes varrem a Sergipe duas vezes no dia e pouco depois está tudo cheio de lixo de novo'', lamenta.
Para o comerciante Romualdo de Oliveira, 58, a saída é educar a comunidade, principalmente por meio de campanhas educativas nas escolas. Por outro lado, acrescenta, é necessário que o poder público faça a parte dele, instalando mais recipientes para lixo. ''Vejo que quando tem lixeira por perto o pessoal colabora. Mas se souber que só tem dali a 100 metros muitos jogam no chão'', diz.
E diante da sujeira, momentos de lazer como um passeio em família não são tão agradáveis quanto deveriam. A segurança Germana Santos Moraes, 28, comenta que quando sai para andar pela cidade com os filhos Isabela, 10, e Lucas, 7, tem o costume de carregar o lixo produzido pela família na bolsa até encontrar o local para dar o destino correto. E acredita que o exemplo que dá para as crianças é o modo mais eficiente de ter uma cidade mais limpa. Pelo menos no futuro.


