Faltam funcionários na Zona Azul
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Dois anos após o início da substituição de adolescentes por maiores na Zona Azul de Londrina, muitos usuários estão descontentes - e por vezes revoltados - com o serviço que arrecada mais de R$ 1,4 milhão por ano. Uma das reclamações mais freqüentes é a de que os orientadores nunca estão por perto quando os motoristas precisam.
Resultado: além de pagar pelas vagas do estacionamento público, os contribuintes acabam arcando com multas. A profissional de marketing Gleicy Ferreira, 28 anos, conta que ao deixar o carro em uma vaga da Zona Azul na Rua Piauí (Centro), há uma semana, não encontrou nenhum orientador - como é chamado o jovem que vende os cartões, cobra e orienta o motorista - nas redondezas. Resolveu então seguir para seu compromisso e pagar na volta.
Só que quando retornei, às 17h30, já não tinha mais ninguém trabalhando. Tive que ir até o escritório da Zona Azul para pagar a multa - que eles chamam de notificação - no valor de R$ 9,00, relata. Segundo ela, o supervisor que a atendeu admitiu que o horário de saída dos orientadores era 17h45, mas disse que eles costumam mesmo sair às 17h30. Depois dessa lei que deixou os estacionamentos particulares mais caros, a procura pela Zona Azul aumentou e aí virou uma festa. Por que não contratam mais gente?, cobra.
Outra motorista, que prefere não se identificar, não se conforma com a multa salgada e a perda de três pontos na carteira que deverá sofrer por problemas com a Zona Azul. Ela também recebeu notificação por não ter efetuado o pagamento ao estacionar. Só que, passados dois dias úteis, os R$ 9,00 subiram para R$ 55,00. Naquele dia, um sábado, não achei uma alma viva para receber o dinheiro ou me dar informação. Já acho um roubo ter que pagar pra parar na rua, que é pública. Mas sujar minha carteira de habilitação por uma besteira dessas, aí é demais, desabafa.
A queixa do taxista Aparecido Luiz Moreira, 55 anos, é outra. Ele é um dos vários moradores do Centro que costumam deixar o carro na Zona Azul por falta de garagem no prédio. Usuários como ele, acredita, deveriam ter permissão para acertar o pagamento na saída. Nem sempre a gente sabe a hora exata em que vai sair, e não tem cabimento pagar por duas horas para ficar só meia. Só que a cada hora que vence os meninos (orientadores) ficam tocando o interfone do prédio para cobrar, ninguém mais tem tranqüilidade em casa, critica. Pior é que se aparecer um ladrão para roubar o carro, eles não fazem
nada.
Para a coordenadora da Zona Azul, Camila Kauan Menezes, grande parte das reclamações se deve ao desconhecimento dos motoristas a respeito do serviço. O orientador está lá para facilitar o acesso ao cartão da Zona Azul, mas a responsabilidade é do motorista. O cartão é vendido em qualquer banca e pode ser deixado do lado de dentro do carro, indica.
Camila explica ainda que somente a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização
(CMTU) poderia definir um tratamento diferenciado para moradores do Centro que estacionam na rua, mas frisa que os demais usuários provavelmente não iam gostar. Sobre o horário de saída, ela informou que apenas dois orientadores, remanescentes da turma de menores de 18 anos, terminam o expediente às 17h25. Os usuários podem ligar para nós sempre que tiverem alguma reclamação sobre o trabalho, oferece.


