Faltam equipes de planejamento
Jataizinho - Dois engenheiros. Esse é o quadro disponível para planejar e fiscalizar o município de Jataizinho em relação às obras. A falta de uma equipe que pense a cidade, como os institutos de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e Curitiba (Ippuc), é a principal alegação do Executivo de Jataizinho para a falta de acessibilidade nas calçadas. Por toda a cidade o que se vê são imóveis sem calçadas com pisos táteis e pouquíssimas rampas, geralmente fora dos padrões recomendados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
O engenheiro civil da Secretaria de Obras de Jataizinho, Mário Fedato, afirmou que é o único responsável por todas as fiscalizações de novos imóveis em Jataizinho para a emissão do habite-se. "Nós temos muito o que fazer. Antes de conseguir que as calçadas tenham acessibilidade, temos que conseguir que as calçadas sejam feitas, pois em muitos lugares elas simplesmente não existem", destacou.
O prefeito de Jataizinho, Élio Duque, afirmou que não há recursos para construir calçadas de prédios públicos e até para pleitear junto às demais esferas seria necessário um projeto, mas sem efetivo não há nem como elaborar. "O que a gente consegue fazer são algumas rampas com recursos próprios em frente a alguma unidade básica de saúde", acrescentou. Ele afirmou que para conseguir ajeitar a cidade seriam necessários no mínimo R$ 500 mil.
O secretário estadual do Desenvolvimento Urbano, Ratinho Júnior, explicou que o o Programa de Calçadas do Paraná atenderá primeiramente os 30 municípios mais carentes ou com o Índice de Desenvolvimento Urbano. A proposta é construir calçadas em ruas pavimentadas, próximo a escola, hospitais, centros de comércio e outros locais de grande fluxo de pessoas. Segundo ele, nenhum recurso foi liberado, pois ainda está na fase de assinatura de convênio. A liberação, afirmou, deve acontecer no final do mês.
Entre os 30 municípios contemplados nesta primeira fase estão Barra do Jacaré, Boa Esperança do Iguaçu, Bom Sucesso, Flórida, Jaboti, Maria Helena e Mauá da Serra. O secretário destacou que o programa possui engenheiros que podem dar assessoria a municípios pequenos sobre os padrões que podem ser adotados. "São calçadas que já serão projetadas para adotar o paver, para ter permeabilidade, e que terão guias rebaixadas e faixas táteis".
Enquanto isso, pessoas como o aposentado Sérgio Moreira de Lima, de 41 anos, que é cadeirante, enfrentam dificuldades no dia a dia. Ele disse que costuma circular pela rua, correndo o risco de ser atingido por alguma carro ou motocicleta. Também revelou que fica constrangido de pedir para os vendedores para que levem as mercadorias até a rua, já que as calçadas e o comércio não possuem rampas de acesso. "Eu também estudo na Escola Municipal D. Pedro II e lá também enfrento dificuldades para entrar, porque a rampa é muito inclinada e o portão é estreito." (V.O.)





