O melhor programa de combate à Aids no Mundo, o brasileiro, também tem suas falhas e a última delas seria a falta de medicamentos para distribuir a pacientes que fazem uso do coquetel para tratar a doença. O problema estaria ocorrendo no Paraná e em outros três Estados: Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Em Londrina, a segunda cidade do País a adotar a distribuição gratuita de remédios que combatem o vírus, muitos pacientes estão há quase dois meses sem pelo menos quatro das drogas indicadas. O perigo é que a doença ganhe resistência com a interrupção no tratamento.
De acordo com o coordenador estadual do Programa DST/Aids em Londrina e integrante do Conselho Estadual de Saúde, Edison Bezerra, desde 29 de setembro, os medicamentos Tenofovir, Atazanavir 150 mg, AZT e Biovir não são enviados para distribuição aos doentes de Aids que fazem terapia com o coquetel de drogas. Apenas na ONG Adé Fidan, da qual Bezerra é coordenador geral, são 35 soropositivos que já manifestaram a doença e não estão tendo acesso aos medicamentos. Em Londrina, ele estimou que cerca de mil pacientes usam esses medicamentos diariamente.
''O AZT é essencial na terapia com coquetel e em quatro dias sem ele, o organismo já começa a ganhar resistência às drogas. Se a pessoa não tinha (as drogas) em estoque, ela já queimou a terapia'', alertou Bezerra, que há 15 anos descobriu-se portador do vírus. O conselheiro lembrou ainda que a grande maioria dos doentes de Aids não têm condições econômicas de adquirir os remédios.
Ele exemplificou que apenas o Atazanavir 150 mg custa nas farmácias cerca de R$ 2,2 mil e comentou que Londrina foi o segundo município do país o primeiro foi Santos (SP) a adotar a compra e distribuição gratuita de medicamentos indicados para o tratamento da Aids no início da década de 1990. Ele acredita que o município teria condições, por ter a gestão plena dos recursos destinados à saúde, de angariar recursos para suprir a falta dos medicamentos enquanto a distribuição regular não for normalizada. Caso não haja uma solução rápida da questão, a ONG deverá pedir ajuda ao Ministério Público.
Como integrante ativo das discussões sobre o tema no Estado, Bezerra observou que nos próximos quatro anos a situação pode se agravar. Isso porque, segundo ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) não terá condições de atender o aumento da demanda de novos pacientes que estão entrando para o programa de distribuição de medicamentos, resultado da campanha do Governo Federal de ampliar a realização de exames para diagnosticar novos casos de Aids.

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