Faltam delegados de carreira no PR
Dos 399 municípios do Paraná, 214 não têm delegados de carreira e muitos deles nem sequer policiais civis. A informação foi dada à Folha pelo presidente do Sindicato das Classes Policiais do Estado do Paraná (Sinclapol), Luiz Bordenowski. O chefe da Divisão de Polícia do Interior, Clóvis Galvão, admitiu que a defasagem de pessoal é grande e que a substituição de delegados pelos calças-curtas (sem formação) compromete a qualidade do atendimento. Para Bordenowski, o ideal é que cada cidade tivesse, no mínimo, um delegado titular e um adjunto. Sem contar as grandes cidades, que o número de profissionais tem que ser bem maior.
Na opinião de Bordenowski, mais crítico que não ter delegado é não ter nenhum policial civil. Nessas cidades, o criminoso fica impune, porque só o policial civil tem autoridade para autuá-lo em flagrante.
Todo o efetivo da Polícia Civil no Estado, segundo ele, soma menos de quatro mil profissionais. Um terço desse total corresponde ao pessoal técnico como médico legista, perito criminal e datilocopista. Ele acredita que seria necessário pelo menos sete mil policiais para funcionar melhor e 12 mil para se chegar à condição ideal.
A Polícia Civil tem atualmente o mesmo quadro de quase 20 anos atrás, criticou o presidente da Associação de Delegados de Polícia do Paraná (Adepol), Joaõ Ricardo Noronha. O último concurso foi realizado em 1984. Segundo ele, o Paraná tem hoje 364 delegados de carreira na ativa (163 em Curitiba), quando deveria ter no mínimo mil profissionais.
Em muitos municípios, o delegado é substituído pelo assistente de segurança, que é nomeado pelas prefeituras. A associação está discutindo a figura do calça-curta, que para Noronha é inconstitucional, e pretende ingressar com medida judicial para obrigar o governo a extinguir o delegado leigo, nomear delegados para o interior e a ampliar o quadro de delegados.
Noronha disse que em alguns municípios do interior do Estado, como Palmas, Quedas do Iguaçu e Clevelândia o Estado foi condenado, em ações civis, a colocar delegado, escrivão e policiais nas delegacias, sob pena de arcar com multa diária de R$ 5 mil em caso de não cumprimento. Isso, indiscutivelmente, compromete a qualidade do atendimento da segurança pública.
Nas cidades onde não há delegado de carreira, não se tem uma segurança mais efetiva na questão da aplicação penal. Ele afirmou que o governo está abrindo concurso para contratação de 41 delegados. Segundo ele, a prioridade para o destacamento de delegados é dada para os municípios sedes de Comarca.Das 123 comarcas do Paraná, apenas 20 não têm delegado de carreira.





