Faltam comida e médicos aos presos de Apucarana
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quarta-feira, 05 de março de 1997
Maurício Borges Correspondente 
Odair StraliottiTécnicos do Instituto de Criminalística fazem vistoria no minipresídioAPUCARANA - Peritos do Instituto de Criminalística de Londrina fizeram ontem uma vistoria completa nas instalações e serviços do minipresídio de Apucarana. A solicitação havia sido feita pelo promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Luiz Fernando Delazari.
A partir do laudo de perícia expedido pelo Instituto de Criminalística, a promotoria pretende adotar medidas cabíveis, através de um procedimento administrativo já instaurado. Delazari adiantou que a situação do presídio não justifica um pedido de interdição.
O promotor, que acompanhou o trabalho dos peritos, fez uma avaliação preliminar da situação apontando dois problemas graves. A alimentação servida aos presos é precária, sendo mantida por familiares e contribuições da comunidade. Os presos também não dispõem de qualquer tipo de assistência médica ou odontológica, constatou.
O promotor explicou que o Estado paga uma diária de R$ 0,80/dia para o almoço e jantar de cada preso. Além de ser uma quantia infame, o repasse está atrasado há três meses, disse. Delazari insistiu que os presos estão expostos a uma situação de penúria alimentar.
O problema da assistência médica e odontológica também precisa de solução urgente, segundo o promotor. Uma presa portadora do vírus da Aids está sem tratamento. Ela só recebe injeções anestésicas.
A estrutura do prédio é considerada boa pela promotoria, se comparada com a de outras cadeias do Norte do Estado. O maior problema é a falta de água constante e a ausência de pontos de luz em todas as celas, avalia Delazari, A perícia foi motivada pelo tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que aborda os encarcerados. Nesta sexta-feira, Delazari se reúne com juízes da comarca e com o bispo diocesano dom Domingos Gabriel Wisniewicz, para discutir a questão dos encarcerados.


