Faltam carteiras, material didático. E mato toma conta
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segunda-feira, 24 de março de 1997
Célia Baroni 
Dorico da SilvaMãos à obraColégio estadual Piza Roseira, na zona sul: pais de alunos estão dispostos a reativar a APMDesde o início do ano, cerca de mil alunos do colégio estadual Piza Roseira, no jardim Piza (zona sul), estão enfrentando dificuldades para estudar. Primeiro foi a falta de carteiras: várias turmas tiveram o início das aulas atrasado em duas semanas porque não havia lugar para sentar. Agora é a insuficiência de material didático. Os livros mandados pelo Governo Estadual são insuficientes e os alunos têm que estudar em grupo, com o mesmo livro, dentro da sala de aula. Tudo rapidinho, porque o mesmo material é utilizado nas demais salas da mesma série.
Além disso, os estudantes precisam conviver com banheiros e pátios sujos. A área de jardins e a quadra de esportes estão sem manutenção e os espaços dedicados ao lazer das crianças estão tomados pelo mato. O espaço que sobra precisa ser dividido com material de construção á- tijolos empilhados no pátio e entulhos com pregos próximos à quadra de esportes.
A situação da escola foi denunciada ontem por um grupo de pais que decidiram arregaçar as mangas e cobrar dos responsáveis uma solução para o problema. A Folha esteve no colégio e constatou o descuido denunciado pelos pais. Além da falta de limpeza e manutenção das dependências da escola, a estrutura física também deixa a desejar. Na biblioteca, por exemplo, cabem apenas cinco alunos de cada vez. Estamos dispostos a colaborar com o que for possível, mas queremos também que Estado e direção façam a sua parte, afirma a dona-de-casa Solange Oliveira Santi. Dois dos três filhos de Solange estudam no colégio estadual do Piza.
Na semana passada, os pais estiveram reunidos com a diretora do colégio, Dirce da Silva Paiva, e foram informados de que a culpa era do Estado, que ainda não tinha liberado a contratação de novos funcionários. A diretora explicou que os funcionários foram se aposentando ou pedindo demissão, e não puderam ser substituídos, comentou a dona-de-casa Eliete Vitorelli, que também tem um filho no colégio. Mas nada justifica a situação em que está a escola. Isso é uma falta de respeito com o aluno e com os pais.
A Folha não conseguiu ouvir a diretora da escola, que estava em Faxinal do Céu, participando de um encontro de diretores promovido pela Secretaria Estadual de Educação. Mas o superintendente de Educação da Secretaria, Luiz Walter Chalusnhak, garantiu que a contratação dos funcionários para o colégio foi liberada na semana passada.
Para o superintendente, a responsabilidade pela situação do Colégio é da própria direção. Faltou agilidade no encaminhamento do pedido e efetivação de novas contratações, disse.
Chalusnhak também que não houve bom senso na administração dos recursos repassados pela Famepar (Fundação de Assistência aos Municípios do Estado do Paraná) à escola. Houve um atraso no repasse dos recursos do Fundo de fevereiro, mas o colégio deveria manter um estoque de material de escritório e de limpeza para essas eventualidades.
Hoje à noite, os pais dos alunos do Colégio vão se reunir com a direção da escola. A idéia é reativar a Associação de Pais e Mestres (APM) que, segundo eles, existe no papel mas não atua.
Segundo o atual presidente da APM, Moacir Maria, quem administra o caixa da associação é a própria diretoria do colégio. Ele conta que, na época, ninguém quis assumir a APM e a diretoria da associação foi composta a laço, só para garantir a existência da entidade.
As eleições da nova diretoria da APM deverão acontecer agora em abril. Nós queremos participar das decisões, para poder também ajudar no que for necessário, afirma Solange Santi.


