Faltam áreas para grandes empresas em Londrina
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sábado, 30 de abril de 2005
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
A doação constante de áreas públicas para a iniciativa privada deixou Londrina sem espaço viável para receber grandes empresas interessadas em investir na cidade. A constatação é do diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Luiz Figueira de Mello. Com prazo de conclusão previsto para junho de 2006, a revisão do plano diretor tem o objetivo de evitar novas doações casuísticas de terrenos pertecentes a órgãos públicos.
As doações sem o devido planejamento tiveram como resultado prejuízos para a população, afirma Mello. Ele faz referência, principalmente, a áreas de uso público reservadas para praças que foram doadas a entidades privadas, como associações de moradores, empresas e igrejas. Uma das metas da revisão do plano diretor é disciplinar as desafetações de terrenos públicos. Várias mudanças ocorreram na Câmara (Municipal) sem parecer técnico, criticou.
Desde 1998, a legislação municipal prevê que os loteamentos são obrigados a entregar as áreas de uso público com estrutura básica montada, como gramado para futura instalação de praça, por exemplo. Um grupo de estudos de Direito Ambiental - formado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ministério Público e organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas - está fazendo um levantamento sobre o assunto. Dados preliminares mostram que 90 áreas públicas foram desafetadas na cidade no ano passado.
Outro objetivo do plano diretor remodelado é buscar alternativas para viabilizar a possível instalação de grandes empresas na cidade. Segundo Mello, o Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI) elaborado em 1996 foi comprometido por mudanças na lei de zoneamento aprovadas pelos vereadores nos últimos anos. Um exemplo são as indústrias instaladas na Zona Norte, que não têm corredor eficiente para escoamento de matéria-prima e produtos. O meio de circulação da região passa por áreas residenciais. Os caminhões colocam em risco a segurança dos pedestres e principalmente das crianças, constata.
Além de atrair, o plano diretor também pretende disciplinar a instalação de grandes empresas, como no caso da rede de supermercados Wal Mart. Para Mello, a resistência da administração municipal contra a construção de uma loja no terreno do antigo Colossinho, na Área Central, tem explicação técnica. Segundo ele, o negócio é um gerador de tráfego pesado, o que inviabilizaria a implantação no terreno pretendido pela gigante mundial do setor. As ruas da região seriam estreitas demais para suportar a intensidade do tráfego dos caminhões de fornecedores e da clientela. A prefeitura indicou vários terrenos grandes para absorver um supermercado desse porte, argumenta.
As soluções apontadas pelo Ippul para viabilizar a instalação e o desenvolvimento de empresas de grande porte na cidade incluem alternativas como o Anel do Emprego e a integração com os municípios da Região Metropolitana.


