Das 22 mil crianças com até seis anos de idade em situação de risco social residentes em Londrina, apenas cerca de 12 mil são atendidas pela rede de educação infantil municipal ou filântrópicas. O restante, mais de 10 mil crianças carentes, estão fora das creches. A Secretaria Municipal de Educação, que divulgou os dados, admite o problema mas argumenta que a carência de vagas é resultado da histórica falta de uma política pública específica para o segmento.
A exclusão de crianças já chamou a atenção do Conselho Tutelar. A conselheira Rita Bastos disse que a instituição está fazendo um levantamento do total de mães que requisitaram vagas mas não conseguiram e das listas de esperas das creches. Ela disse, inclusive, que o Conselho poderá entrar com uma representação no Ministério Público cobrando uma solução por parte do Município. O também conselheiro tutelar Luiz Bárbara destacou que o problema se agrava principalmente no período de matrícula no início de cada ano. O número de vagas disponibilizadas para o Conselho, de acordo com ele, é insuficiente para atender todas as famílias que necessitam.
Desempregado e com duas crianças em idade para frequentar a educação infantil, o marceneiro Osli Maciel, 40 anos, é uma das vítimas da defasagem de vagas. Tanto na creche do Jardim São Jorge, onde mora, quando noutra no Conjunto Chefe Newton, ambas na Zona Norte, ele teve as matrículas das crianças recusadas. ''Disseram que estavam com superlotação'', apontou. A saída foi matricular as meninas em uma escolinha particular. Enquanto trabalhava aguentou arcar com a mensalidade de R$ 260,00. Mas perdeu o emprego e teve que retirar as filhas da escola se não quisesse ver seus problemas aumentarem. ''Ainda tenho um restinho lá para pagar'', confessou.
A secretária municipal de educação, Carmem Baccaro Sposti, apontou que a demanda reprimida na educação infantil é uma das prioridades da atual administração e que o problema está ligado à falta de políticas públicas voltadas especificamente para a educação infantil. Carmem observou que a preocupação é melhorar a qualidade do atendimento, substituindo o perfil assistencialista pelo educativo. ''É um trabalho de base e a meta é ter um ensino de qualidade e sem demanda reprimida'', afirmou. Para tanto, ela pretende contar com o apoio dos empresarios, ''que por lei deveriam oferecer creche para seus funcionários''.
De acordo com a secretária, nos últimos quatro anos a oferta de vagas foi acrescida em mais de 25%, ou seja, foram integradas à rede educacional mais 2.377 crianças. Para o próximo ano, a secretária garantiu que pelo menos 325 novas vagas serão abertas com a inauguração de mais quatro unidades: 85 novas vagas no Jardim Santiago (Zon Oeste), 90 vagas no Distrito de Paiquerê (Zon Sul), 65 vagas no Jardim Nossa Senhora da Paz (Zona Oeste) e 85 vagas no Conjunto Tito Carneiro Leal (Zona Sul). Em 2005, os recursos destinados à educação infantil somam R$ 5,415 milhões.

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