Os postos de saúde da rede municipal de Londrina deixaram de oferecer, desde o início do mês, a vacina contra a meningite do tipo B causada pela bactéria haemophylus, que vinha sendo distribuída gratuitamente desde outubro de 1996 aos recém-nascidos. A vacina, que é importada e tem eficiência comprovada, deve ser aplicada em cada bebê em três doses, aos 2, 4 e 6 meses de vida. Em clínicas particulares, cada dose custa cerca de R$ 40,00.
O professor Ariovaldo de Oliveira Santos, que ontem levou o filho Bruno, de 6 meses, para tomar a última dose no Pronto Atendimento Infantil (PAI), não se conformou com a falta do medicamento. ‘‘Esta vacina é essencial, não dá para admitir a sua falta na rede pública. Ao ser atendido no balcão, o funcionário simplesmente informou que a vacina acabou e que tínhamos que procurar uma clínica particular. Isto é absurdo’’, criticou.
‘‘A gente, que ainda tem algum poder aquisitivo, se vira; dá lá um cheque pré-datado e vacina o filho. Mas, e a maioria da população, que não tem condições sequer para comprar a alimentação e pagar as outras contas obrigatórias? Afinal, 40 reais é um terço do salário mínimo’’, ressaltou.
A diretora do setor de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Mara Ferreira Ribeiro, explica que a vacina está em falta por causa do atraso do Ministério da Saúde na liberação do medicamento. ‘‘Antes, as vacinas - cerca de 2,5 mil doses mensais - eram compradas com recursos do município. Agora, a partir deste mês, elas serão repassadas pelo governo Federal. Só que houve este atraso na entrega das vacinas, infelizmente. Tudo deve estar normalizado em junho.’
Mara Ribeiro explicou que o atraso na aplicação da segunda ou terceira dose da vacina nas crianças de famílias que não têm condições de fazê-la particularmente não interromperá o efeito do medicamento. Desde o início da vacinação em Londrina, houve uma redução no número de casos deste tipo de meningite. Em 1995, foram 17 casos, com duas mortes. Em 96, nove casos, também com dois óbitos. Em 97, foram quatro casos, sem mortes. No ano passado, três casos e nenhuma morte. Neste ano, ainda não foram registrados casos. Todas as crianças contaminadas pela bactéria haemophylus não haviam sido vacinadas.

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