Curitiba - Depois que saem da privação de liberdade, muitos adolescentes encontram dificuldades na continuidade dos estudos. "O sistema educacional teria que criar um mecanismo, um tipo de ensino modular diferente, para que ele possa continuar estudando. Mas não dentro de uma turma com defasagem de idade-série e também, talvez, não com uma educação para jovens e adultos que foi feito para adultos mesmo. Então, até isso precisa ser resolvido no sistema educacional que ainda não está equacionado", sugere a secretária de Estado da Crinaça e Juventude, Thelma Oliveira.
Mesmo não enquadrados nas exigências da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) -que estabelece que, no sistema de educação para jovens e adultos, apenas maiores de 15 anos podem concluir o ensino fundamental, e que o ensino médio pode ser concluído apenas por pessoas com mais de 18 anos-, a secretária acredita que os adolescentes entre 13 e 17 anos, que já cumprem medidas sócio-educativas têm uma experiência "mais dura" e não se adaptam ao ensino regular. "O próprio sistema escolar ainda não encontrou uma forma de inclusão oficial destes adolescentes", repreende Thelma.
A falta de escolarização dos jovens egressos do sistema sócio-educativo também é uma dificuldade nos encaminhamentos para o futuro profissional. "Os adolescentes não têm formação para entrarem nas exigências de um curso de qualificação profissional e são rejeitados pelo mercado de trabalho", afirma o coordenador de sócio-educação, Roberto Peixoto. Para facilitar a entrada dos adolescentes no mercado de trabalho, são realizadas ações como o Programa de Qualificação Profissional do Adolescente Aprendiz, que prevê vaga em órgãos estaduais para os jovens que cumprem medidas em meio aberto, na condição de que estejam estudando. Ao todo são 450 vagas efetivadas em todo o Estado.

Responsabilidade
Uma questão que gera polêmica quando o assunto "jovem infrator" está em debate é a parcela de responsabilidade do adolescente, quando ele deve cumprir um dever, como por exemplo, o de estudar. Sobre o assunto, a secretária ressalta a importância da iniciativa do próprio jovem. "A gente tem que contar com a tomada de consciência do adolescente. Porque o que acontece com a vida dele é também reflexo das suas escolhas. Então, essa responsabilização sobre seus atos é também um fator importante no processo sócio-educativo", argumenta.
A equipe da FOLHA tentou contato com representantes da Secretaria de Estado da Educação sobre o trabalho com os adolescentes com dificuldade de adaptação à estrutura escolar e sobre os mecanismos de reinserção dos jovens egressos do sistema de privação de liberdade, mas o responsável por esse setor não se encontrava na secretaria durante o dia de ontem. (C.G.B. e D.R.)

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