Londrina - Andar a pé pelas ruas de uma cidade pode ser um desafio. Não somente pelos problemas de acessibilidade devido à falta de estrutura das calçadas ou segurança das travessias, mas também pela ausência quase total de sinalização sobre a localização de pontos de grande procura, como hospitais e órgãos públicos, para quem caminha. Segundo especialistas, esse problema reforça o sentimento de insegurança e desorientação, que acaba por estimular ainda mais o uso de veículos motorizados individuais, mesmo que em pequenos trajetos.
É só dar uma volta ao redor de um quarteirão para perceber que praticamente não existem placas de indicação de endereço para pedestres. "As vias são sinalizadas para resolverem o problema do tráfego de veículos motorizados. A tranquilidade e a segurança das pessoas a pé são totalmente relegadas", comenta a arquiteta e urbanista Meli Malatesta, consultora e professora área de mobilidade não motorizada, de São Paulo.
Segundo ela, falta tudo para o pedestre, termo que ela, inclusive, considera inadequado. "O usuário da mobilidade a pé é o mais frágil da cadeia. Ele é totalmente desprivilegiado pela engenharia de tráfego", critica.
A arquiteta comenta que a sinalização ao pedestre deveria ser a primeira priorizada, a começar pelas calçadas. "Mas os planejamentos urbanos são feitos a partir dos veículos e o que sobra é imposto aos que andam a pé. Estudos apontam que cerca de 40% dos deslocamentos são realizados a pé. Isso significa que começam e terminam dessa maneira; não é apenas um trecho. E esse deslocamento possui uma lógica totalmente diferente da motorizada; não se pode querer disciplinar ou licenciar o agente com os mesmos parâmetros. Infelizmente, a forma mais praticada é a menos valorizada", acrescenta.
Para Eduardo Dias, coordenador da campanha "Sinalize", elaborada pela equipe do Mobilize Brasil, a ausência de sinais de orientação gera dificuldades em encontrar os endereços e espaços, sobretudo, de serviços públicos. "Em algumas poucas cidades é possível encontrar placas próximo às estações. Mas, de maneira geral, há uma carência extrema de sinalização de orientação. A saída é seguir as placas dos veículos, diferente da lógica do pedestre, ou perguntar às pessoas", diz ele, acrescentando que a campanha visa chamar a atenção do poder público para a melhoria da sinalização pedestre a partir de apontamentos de dificuldades – como faixas, semáforos, passarelas, sinalização - feitos pela própria população para a formação de um banco de dados.

TOTENS
Segundo ele, uma das formas para facilitar o deslocamento é a instalação de totens com mapas indicando a localização da pessoa e direcionamento para locais úteis ou de referência. "Em alguns países da Europa é extremante comum. No Brasil, isso já existe em centros de compras e poderia facilmente ser estendido às ruas. Além de facilitar o deslocamento, economiza-se tempo." Somando-se à utilidade, Dias atenta que facilitar a vida do pedestre torna o caminhar muito mais atraente e seguro. "É preciso existir elementos que estimulem o andar a pé. Todos têm a ganhar, da movimentação da economia local, já que aumenta a circulação de pessoas, à saúde da população com qualidade de vida, diminuindo o uso do transporte, até mesmo público", afirma.

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