Falta serviço às ONGs de capina e roçagem
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Há dois anos, Nereu Pereira, 25 anos, preside a organização não-governamental (ONG) Solução, que realiza serviços de capina e roçagem na Região Oeste de Londrina. Desde que começaram os trabalhos os cinco membros da ONG já conseguiram comprar uma roçadeira costal à gasolina, enxadas, foices e equipamentos de proteção e, recentemente, iniciaram o financiamento de um carro para facilitar o transporte pela cidade. Se tudo vai bem na Zona Oeste, na Região Norte os trabalhadores da ONG Novo Visual têm tido dificuldade em encontrar serviço.
Segundo Durvalino Biliatto, coordenador do programa Londrina Mil ONGs, do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), a proposta de capina e roçagem contemplava seis ONGs, mas apenas quatro conseguiram se manter. ''Como os serviços de capina e roçagem requerem licitação, as ONGs acabam perdendo trabalhos para empresas maiores'', explica Billiato, ressaltando que está sendo estudada uma mudança nos editais para contemplar as organizações nos processos de licitação.
O presidente da ONG Solução explica que desde que a organização foi constituída, há três anos, ''faltou serviço e o pessoal ficou desapontado''. Hoje, seis voluntários revezam-se na condução das atividades da ONG, que conta com duas roçadeiras costais. ''Conforme a disponibilidade do custeio atendemos a cidade toda'', informa Pereira, ressaltando que normalmente as pessoas ligam requisitando o serviço de limpeza dos terrenos. Em média são cobrados R$ 0,15 por metro roçado. ''Um valor até 50% mais barato que o cobrado pela CMTU'', calcula o presidente, referindo-se aos serviços de limpeza contratados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização.
Por dia, eles chegam a roçar até 5 mil metros de mato. ''Tomando por base que um terreno padrão em Londrina tem 350 metros dá para trabalhar bastante num dia'', diz Pereira, ressaltando que para cada serviço de capina e roçagem são necessárias, no mínimo, duas pessoas.
Em parceria com a Casa do Empreendedor, a ONG conseguiu comprar o maquinário a juros mais baixos que os praticados pelo mercado. ''Alguns sapatos e capas foram frutos de doações'', reconhece Pereira.
A demanda por serviços, completa Pereira, é variada. ''Depende da natureza'', brinca. A melhor temporada é certamente entre a primavera e o verão, quando há mais chuva. ''Com água o mato cresce'', comemora o presidente da Solução. Ele explica que a ONG trabalha em duas frentes para compensar os meses frios, quando não há tanto trabalho. Além da capina e roçagem, os voluntários trabalham com construção civil, realizando pequenas reformas pela cidade. ''A margem de lucro com a roçagem é alta. É uma atividade bem rentável'', constata.
O grupo, que hoje conta com cinco representantes, é formado por profissionais da área que já trabalhavam como autônomos. ''Como o serviço era fraco, resolvemos nos juntar para conseguir mais trabalhos'', recorda Pereira, que diferente dos companheiros estudava e trabalhava com carteira assinada antes de criar a ONG.
''Quis fugir da alienação do trabalho com carteira assinada. Prefiro ser independente, fazer meu próprio horário e minha própria renda. Quanto mais trabalho, maior é a minha renda'', assinala o presidente da ONG. Ele cursa o primeiro ano da faculdade de jornalismo.
Serviço -Interessados em contratar os serviços das ONGs podem entrar em contato com Nereu, na Zona Oeste, pelos telefones 9128-1631 ou 3328-2194; com Natan, na Zona Norte, pelos números 8813-6335 ou 8808-7212. Para serviços nas Zonas Leste e Sul, procurar o Daniel no telefone 9997-7335.


