Falta segurança no uso de raio-x
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segunda-feira, 23 de março de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
A popularização do uso de equipamentos de raio-x e de radiodiagnóstico em todo o País aumenta a preocupação dos profissionais de saúde com a qualidade e a segurança desses serviços. "A fiscalização não é tão eficiente quanto deveria ser, principalmente em hospitais públicos", alerta o médico, especialista em radiologia e diagnóstico, Lutero Marques de Oliveira.
Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Sistema Único de Saúde (SUS), 290 dos 399 municípios do Paraná possuem equipamentos de diagnóstico por imagem. No total, são 5.221 aparelhos de raio-x, que permitem a realização de exames para pesquisa de fraturas, análises das condições de órgãos internos e diagnóstico odontológico, o que os tornam fundamentais em clínicas médicas de baixa e média complexidade.
A preocupação com a qualidade dos serviços de radiodiagnóstico é justificada. "A exposição excessiva à radiação ionizante pode causar efeitos de longo prazo, como o desenvolvimento de leucemia, linfoma, câncer nos ossos e na tireóide", explica Oliveira. "O problema é que a radiação é acumulativa. Se a pessoa faz um raio-x, recebe uma dose pequena, quase insignificante de radiação. Só que ela se soma a outras exposições que o paciente venha a sofrer ao longo da vida, o que pode ter consequências negativas no longo prazo", aponta.
Valdelice Teodoro, presidente do Conselho Nacional de Radiologia, reconhece que os problemas levantados pelos profissionais entrevistados pela FOLHA são conhecidos. "Existe sim casos em que se instala o aparelho sem seguir a norma", declara. "Além disso, a falta de manutenção prejudica o diagnóstico, tornando o resultado do exame precário", analisa. Segundo Valdelice, a única forma de combater o problema é denunciar. "As denúncias precisam ser encaminhadas para a Vigilância Sanitária", recomenda.
O uso de equipamentos de radiodiagnóstico não representa, em si, um perigo. "Estamos expostos à radiação o tempo todo", explica o físico Danyel Soboll, especialista em física médica e radioterapia. "Se o equipamento está com a manutenção em dia, os cuidados com a segurança são criteriosos e o profissional que o opera é qualificado, o raio-x é seguro", afirma.
Os problemas aparecem quando as recomendações de segurança são deixadas de lado. A reportagem da FOLHA entrevistou diversos profissionais do setor que identificaram três situações de risco na área de radiodiagnóstico: falta de manutenção dos equipamentos, segurança deficiente e profissionais sem qualificação atuando no setor.
Um médico que trabalha para prefeituras do Litoral e da Região Metropolitana de Curitiba e não quis se identificar, relatou à FOLHA que há casos de clínicas médicas em que os equipamentos de raio-x estão instalados em salas sem blindagem e sem equipamento de proteção. "Trabalho para diversas prefeituras e até hoje só vi um hospital que tinha projeto físico-nuclear e os demais recursos de segurança necessários nesse tipo de instalação", alerta.
Normas
A instalação e operação de equipamentos de radiodiagnóstico é regulamentada por portarias da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária e por normas técnicas que determinam as medidas obrigatórias de segurança. "Para instalar qualquer equipamento de radiodiagnóstico em clínica ou hospital, é preciso um projeto físico-nuclear que determina desde a localização do aparelho até a blindagem das paredes e a instalação de ambientes obrigatórios segundo a norma", explica Soboll.
Para Soboll, a operação de equipamentos de raio-x em salas que não possuem blindagem traz perigos reais para quem trabalha no entorno. "O risco é maior para quem está sujeito à exposição frequente à radiação", alerta. Com frequência, o maior prejudicado pela falta de segurança é o próprio operador do equipamento.


