Falta médico para hospitais de Londrina
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terça-feira, 07 de maio de 2002
Érika Pelegrino<br>Reportagem Local 
Procura-se médico plantonista. O estresse que envolve a rotina de atendimentos nos prontos-socorros (PS), baixos salários e contratação temporária tem afugentado os médicos do pronto-socorro do Hospital da Zona Norte (HZN) de Londrina. As escalas de plantão funcionam hoje com defasagem de profissionais.
Em cada período manhã, tarde, noite o correto é que dois clínicos gerais e um pediatra estejam de plantão. Atualmente, em alguns turnos a escala conta com apenas um clínico geral e um pediatra, ou ainda com apenas um pediatra que se vê obrigado a atender também a demanda de clínica geral.
Segundo o diretor-clínico, Alfio Martelliti Neto, que assumiu o cargo há uma semana, hoje o hospital precisa de mais sete médicos. Com a defasagem de profissionais, o atendimento é mais demorado, o que provoca a irritação dos pacientes.
A pressão da população que é atendida no HZN junto com o baixo salário dos profissionais contratados pelo Conselho Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), através de convênio com a Secretaria Estadual de Saúde, são apontados por Alfio Martelliti Neto como os fatores que dificultam a contratação de médicos.
Os 11 profissionais contratados pelo Cismepar são pagos por plantão (6 horas, 12 horas e 24 horas). Os valores variam entre R$ 110,00 e R$ 440,00. O HZN tem ainda seis médicos contratados pelo Estado que recebem por 96 horas/mês valores entre R$ 800,00 e R$ 900,00, além de adicionais que acrescem os salários em mais de 50%.
Como o Estado não abre concurso para contratação desde 1990, em 1997 foi firmado um convênio com o Cismepar, com duração de 5 anos, para contratação temporária de médicos. Para o diretor-geral do Hospital da Zona Sul (HZS),
Marcelo Agudo Carvalho de Mendonça, o estresse é a grande causa da resistência dos profissionais em trabalhar no PS.
Os profissionais ficam mais expostos, fazem um grande volume de atendimento e por isso estão mais sujeitos a algum erro de diagnóstico, afirma. Ele lembra ainda que o profissional precisa ter o perfil de atendimento em PS: ser rápido, objetivo e paciente. O HZN faz uma média de 250 a 300 atendimentos por dia. O HZS, 180 atendimentos/dia.
A diretora-executiva do Cismepar, Vânia Brum afirma que precisa contratar com certa urgência pelo menos três profissionais. Já fez anúncios até fora do Estado, mas ainda não conseguiu. No final do ano passado, de 4 a 5 médicos que atendiam no PS da Zona Norte pediram demissão, segundo Vânia Brum.
O ano passado foi um período difícil em função da reforma do PS da Santa Casa que se estendeu de março até o final do ano e do atendimento parcial do PS do Hospital Universitário (HU), a partir de setembro, em função da greve da Universidade Estadual de Londrina (UEL), de acordo com a diretora do Cismepar. A demanda aumentou muito para o HZN e HZS e atendimentos de casos graves que exigem UTI tiveram que ser feitos nestes hospitais, explica. Essa situação levou alguns médicos a pedirem demissão. Este ano, embora os dois PSs (Santa Casa e HU) já estejam funcionando, Vânia Brum explica que a demanda não diminuiu e há a dificuldade em transferir casos graves em função da falta de leitos em UTI na região.


