Falta matar dois agentes, ameaça PCC
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Reportagem Local 
''Matei um, faltam dois, tenho que ser rápido, pois os policiais já sabem que fui eu''. A voz masculina em um celular, telefonando de Londrina para o Rio de Janeiro, seria de um membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), ligado a uma quadrilha especializada em promover ''faxinas'' contra agentes e policiais que dificultam a vida da organização criminosa dentro e fora das penitenciárias.
Esta conversa telefônica teria sido interceptada pelo Centro de Operações Policiais (Cope) da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), no final da tarde da última sexta-feira, colocando todos os agentes do sistema penitenciário em estado de alerta. A ameaça acontece em seguida à morte do agente penitenciário, Francisco Gonçalves Filho, executado com 19 tiros no último dia 22, quando chegava a sua residência com seu carro e dois filhos, os quais presenciaram a tragédia, e nada sofreram.
Dado alarme no sistema prisional na última sexta-feira, agentes penitenciários foram orientados, ainda na noite do mesmo dia, a utilizarem coletes à prova de bala e, mesmo não sendo permitido legalmente, a andarem armados. A reportagem da FOLHA obteve a informação sobre a interceptação da conversa telefônica e a recomendação feita aos agentes dentro da própria corporação policial, em Londrina.
Apesar das ameaças, muitos agentes não mudaram a rotina. Durante a madrugada de sexta para sábado, a FOLHA flagrou um deles circulando por bares e boates de Londrina. O agente, que não quis se identificar por motivos óbvios, confirmou a versão da interceptação telefônica, acrescentando que estava com colete à prova de bala, e armado com dois revolveres.
O delegado chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Barroso, disse que já existem nomes de suspeitos ligados à morte do agente, mas quanto à ligação do crime com o PCC, ele nega qualquer informação. ''A polícia não vai falar sobre isso e eu até entendo que a própria mídia deveria filtrar esse tipo de informação. A investigação está bastante adiantada, temos nomes de suspeitos e acredito que devemos solucionar esse caso em breve'', disse.
A reportagem tem informação de que há uma ordem expressa da Secretaria de Segurança Pública do Paraná para não falar da presença do PCC nas cadeias do Estado. Delegados responsáveis pela guarda de presos e policiais estariam proibidos de comentar sobre a presença da organização criminosa nos presídios. O delegado Barroso, entretanto, nega essa ordem.
A morte de agente Francisco poderia estar diretamente ligada a um ''tumulto'' ocorrido na noite do dia 13, dois dias antes de sua morte. Segundo a reportagem da FOLHA apurou, as ameaças de morte teriam começado aí.
O diretor da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), capitão Diógenes Gonçalves, explicou que naquele dia, um agente que estava na sétima galeria do presídio, teria notado que alguns presos tentavam passar algo de um cubículo para outro, o que depois descobriram se tratar de uma quantidade de maconha. ''Foi iniciado então o procedimento de revista naquele local e neste momento os presos resistiram a sair, se recusaram. Como procedimento de praxe foi utilizado da força progressiva para compelir esse pessoal''.
O diretor confirmou que os presos fizeram ameaças de morte durante a confusão. ''Realmente, houve gritos de que iriam matar os agentes. Não foram ameaçados só três, foi uma ameaça geral. O Francisco não estava de serviço no domingo, ele participou de uma outra revista realizada na segunda-feira, mas foi apenas uma operação de rotina'', relatou. Com relação à presença do PCC no presídio, Gonçalves foi evasivo: ''Todas as linhas de investigação são possíveis e nenhuma das hipóteses é descartada, desde uma facção criminosa até que o crime tenha acontecido por outros motivos que a gente não imagina'', ressaltou.
Procurado pela FOLHA por meio da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), o secretário Luiz Fernando Delazari preferiu não se manifestar sobre o assunto. Ainda por meio da assessoria, a Sesp, baseada em informações repassadas pelos delegados que conduzem as investigações, afirmou que não confirma as denúncias de que organizações criminosas estariam agindo dentro de presídios do Paraná e de que outros agentes penitenciários estariam sendo jurados de morte por detentos.


