Professores de algumas escolas públicas de Londrina estão precisando buscar alternativas para repassar o conteúdo didático a seus alunos, pois muitos ainda não receberam seus livros e estão encontrando dificuldades para acompanhar o conteúdo pedagógico. Apenas no Colégio Estadual Marcelino Champagnat, localizado no centro da cidade, cerca de 100 alunos da 7 série não receberam seus livros de ciências. Alguns também não contam com os livros de história, matemática e geografia.
A professora de ciências Idê Perez Ruiz explica que os alunos encontram muita dificuldade, principalmente para estudar e fazer os exercícios em casa. Ela completa que o ritmo das aulas é mais lento, pois todo o conteúdo precisa ser passado no quadro. ''Perdemos um tempo precioso, em que os alunos poderiam estar recebendo uma carga maior de informações'', diz.
Ruiz acrescenta que entre as alternativas encontradas para suprir a falta dos livros estão a utilização de fotocópias e do velho mimeógrafo. Porém, cada professor tem uma cota para utilizar esses equipamentos, o que impede seu auxílio de forma contínua. A professora afirma que uma solução seria o Ministério da Educação e Cultura (MEC) enviar livros de outros autores, ao invés daquele escolhido pela escola. Conforme ela, no início de cada ano letivo, as escolas escolhem o livro e envia o pedido para o MEC, que faz o repasse.
O diretor da escola, Claudecir Almeida da Silva, lembra que essa não é a primeira vez que faltam livros didáticos no início do ano letivo. Ele observa que a deficiência acontece em razão da Secretaria de Estado da Educação (Seed) e o MEC enviarem os livros baseado no censo escolar do ano anterior. O problema, segundo ele, é que normalmente novas turmas são abertas. ''Eles poderiam esperar o início do ano letivo para ver quantos alunos estão matriculados e enviarem os exemplares'', frisa.
Para Silva, uma alternativa para resolver a questão da falta de livros seria a criação de um banco, onde as escolas que tivessem exemplares em excesso pudessem fazer a devolução.
A aluna da 7 série, Nathaly Sanches Maltez, reclama que está encontrando dificuldades tanto para fazer as tarefas de casa como para estudar para as provas. Ela acredita que se todos estivessem com seus livros o rendimento poderia ser melhor. ''Ano passado nossos livros também demoraram para chegar. Isso dificulta muito para a gente'', complementa.
A assistente do Núcleo Regional de Educação de Londrina, Marlene de Mello, confirmou que o problema da falta de livros está presente em várias escolas do município. Segundo ela, nos próximos três dias haverá uma reunião na Seed, em Curitiba, onde a questão da falta de livros será discutida.

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