Luciana Pombo
De Curitiba
Os pacientes diabéticos que usam insulina mista, de origem animal, estão há dez dias sem o medicamento em 34 das 99 unidades de saúde de Curitiba. Na região do bairro Boqueirão, na periferia da cidade, vários postos de saúde estão orientando os pacientes a voltarem em outra data. ‘‘A gente tem chamado os familiares e orientado a procurar o posto numa outra data. Quando o paciente não tem mais o medicamento, temos que pedir que a insulina seja comprada’’, afirmou um dos responsáveis por um posto de saúde da região. O preço de um frasco de insulina varia entre R$ 12,00 e R$ 25,00.
Em alguns casos, os pacientes são remanejados para outros postos de saúde que ainda tenham estoque. Atualmente, a prefeitura conta com cerca de 3 mil dependentes de insulina cadastrados. Em todo o Estado, são cerca de 10 mil pacientes. Mensalmente, a prefeitura distribui para os postos 3.571 frascos da insulina mista e 570 da insulina regular. A insulina humana ainda é pouco usada em Curitiba. Geralmente ela é indicada para crianças e mulheres grávidas.
Os dependentes de insulina que tentam outra opção, como procurar o Centro Regional de Especialidades do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que atende pacientes de Curitiba e região metropolitana, também não conseguem adquirir o medicamento. Há um mês a unidade não está distribuindo insulina. ‘‘Tínhamos mais de mil pessoas cadastradas aqui, mas agora a entrega de insulina para pacientes foi suspensa. A responsabilidade ficou com os postos de saúde’’, argumentou um funcionário que não quis se identificar.
O superintendente e secretário adjunto de Saúde de Curitiba, Michele Caputo Neto, admitiu que a insulina mista está em falta em um terço dos postos de saúde da cidade. Mas garantiu que o problema ainda ontem deveria ser solucionado. ‘‘Recebemos o novo lote de insulina na quarta-feira e estamos fazendo a distribuição em todos os postos’’, afirmou ele. O estoque que está sendo distribuído, de acordo com Caputo Neto, é suficiente para três meses. ‘‘Fizemos todo o mapeamento da situação e estamos corrigindo o problema’’, garantiu ele.
A endocrinologista do Ambulatório de Diabetes do Hospital de Clínicas, Rosângela Rea, informou que a falta da insulina para pacientes do tipo I (dependentes do medicamento) pode até levar à morte. ‘‘Os pacientes que não encontraram o remédio devem retornar aos postos de saúde e adquirir a insulina. É importante que ninguém faça estoques para evitar o desabastecimento’’, argumentou ela.

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