São apenas cinco mililitros de sangue retirados, porém os benefícios que este gesto geram não podem ser medidos. Um por vez, com a certeza de que estão promovendo o bem, funcionários de uma cooperativa de saúde de Londrina fizeram o cadastro no Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea), no Hemocentro do HU (Hospital Universitário), nesta terça-feira (20). O sangue que foi retirado na instituição é necessário para identificar as características genéticas para encontrar um paciente à espera da medula.

A ação faz parte do calendário da Unimed, que todos os meses desenvolve atividades que visam discutir temas ligados à temática da saúde. Em fevereiro os esforços estão dedicados para abordar o combate ao câncer. O trabalho de incentivo para os colaboradores doarem medula óssea ocorreu pelo canal interno da operadora. Ao todo, 20 pessoas se dispuseram a ser voluntárias. Bottons foram distribuídos nas últimas semanas para identificar quem já é doador e aqueles que viraram recentemente.

Segundo a gerente de Sustentabilidade da cooperativa, Fabianne Piojetti, durante o ano já é fomentado que os funcionários façam o cadastro de doador de medula em pelo menos duas oportunidades, em julho e dezembro, quando acontece a doação de sangue. "Muitos já são cadastrados por conta disso, pois aproveitam a oportunidade. Para ser algo mais efetivo neste intuito, chamamos atenção com ênfase sobre a medula óssea neste mês, pois aproveitamos para falar da prevenção, de uma forma leve. A recepção foi boa, pois eles vão vencendo o medo que às vezes existe", destacou.

AJUDA
Com histórico de leucemia na família, com a morte de uma prima de apenas seis anos, Dayane Dias sabe o quanto é importante ser doador. "Passamos por um momento delicado, porque é difícil encontrar alguém compatível e minha prima faleceu por conta disso. Isto me marcou e acabou motivando para vir fazer o cadastro. Muitos momentos achamos que isso só vai acometer quem está longe de nós, porém pode ser bem ao nosso lado. Temos que ajudar", apontou ela, que atua no setor de atendimento.

Graduanda do curso de enfermagem, e trabalhando na cooperativa de saúde também com atendimento, Camila Godoy aproveitou a abertura dada por meio da empresa para poder ter seu registro como voluntária. Superando receios quanto à doação, espera encontrar alguém compatível para poder renovar a vontade de viver deste paciente. "Muitas famílias em diversos lugares estão à procura de um doador e talvez possa ser eu esta pessoa. Já tinha pensado (em doar), mas só agora estou conseguindo fazer o cadastro. Em razão do estágio da faculdade vejo de perto quem necessita", relatou.

INFORMAÇÃO
O Hemocentro do HU é o único lugar em Londrina que pode fazer o cadastro de interessados em doar medula óssea, assim como o transplante. Desde que iniciou a captar voluntários, na década de 1990, o banco de doadores conta com 52 mil nomes, o que representa apenas 9% da população total que habita a segunda maior cidade do Paraná. Em 2018 foram realizados 11 transplantes de medula no município. No Paraná o número chegou a 311.

Estima-se que de 25% a 30% das doações, no geral do País, sejam feitas entre irmãos, sendo que as chances de compatibilidade podem chegar a uma em cem mil entre pessoas que não são da mesma família. Apenas 10% da medula óssea é retirada. Em poucas semanas o organismo está recomposto por completo. O transplante é recomendado para pacientes com doenças que afetam as células do sangue, como alguns tipos de câncer, como leucemias e linfomas, e anemia aplástica.

"Falta informação para termos mais doadores inscritos no Redome. Grande parte da população tem receio ao procedimento para retirar o tutano, como é chamado o tecido gelatinoso que é captado do interior dos ossos. Acham que vai fazer mal à coluna, entretanto não tem nada disso. É muito tranquilo e procedimento mais indicado para retirada é decidido pelo médico", esclareceu Rosane Higemberg, responsável pelo serviço de captação do Hemocentro do Hospital Universitário.

REQUISITOS
Para ser doador é preciso ter entre 18 e 54 anos de idade, estar em boas condições de saúde, não ter tido doenças infectocontagiosas e fazer cadastro no registro nacional. É preenchido formulário com informações pessoais e retirada pequena quantidade de sangue, que passa por exame e teste de compatibilidade. Caso haja convergência nas informações genéticas são feitos outras averiguações. "Não temos uma procura frequente por pessoas que querem se tornarem doadoras. Não é muito comum empresas incentivarem funcionários. Depois de fazer o cadastro tem que manter atualizado direto no site do Inca (Instituto Nacional do Câncer)", explicou Higemberg.

Com a ação concreta, a intenção da cooperativa de saúde é que os funcionários possam replicar a atitude e reflexão junto às famílias e amigos. "O objetivo é continuar com gestos concretos como este, porque é uma contribuição extraordinária e que pode salvar vidas. Isso não tem preço que pague", valorizou Lorraine Letícia Luz Alves, do setor de Sustentabilidade da Unimed Londrina. A operadora, com os colaboradores, irá doar leites para o CAPC (Centro de Apoio ao Paciente com Câncer) como mais uma atividade do fevereiro marrom, como nominaram o projeto do calendário da saúde deste mês.

SERVIÇO - O Hemocentro do HU fica na rua Cláudio Donizete Cavalieri, 156, jardim Tarumã. Mais informações pelo fone (43) 3371-2218.

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