Falta informação para moradores da RMC
Fazenda Rio Grande e Mandirituba - Em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a área escolhida para receber o nova usina de processamento de lixo das 16 cidades que fazem parte do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos fica em um descampado na região conhecida como Passo Amarelo. A área fica próxima às casas do bairro Santarém. Muitos moradores vivem nas proximidades. Ainda assim, poucos deles sabem que, talvez, o futuro do local seja diferente do que pensaram.
É o caso de Miriam Ramalho, estagiária de Pedagogia. Esperando o ônibus no ponto situado em uma das ruas que dão acesso ao local, ela diz que mora há 13 anos no bairro. Sobre a instalação da usina, Miriam revela que ficou "sabendo por cima", mas ficou assustada com a possibilidade. O principal receio dela é ter de deixar sua casa e precisar mudar-se para outro local. "Será que têm o direito de tirar o pessoal daqui? Nunca perguntaram se a gente quer sair", reflete. De acordo com Prefeitura de Fazenda Rio Grande isso não vai acontecer. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que, caso a usina vá para a cidade, não será necessária a relocação dos moradores.
Mesmo assim, gente como João Matos Gonçalves, que há dois anos mora no bairro, diz não saber de nada. "Não veio ninguém aqui avisar, mas há a conversa de que vai ser no bairro. Se for, a situação vai ficar complicada", comenta. Outro morador, César Almeida, diz que só ouviu comentário sobre o assunto antes das eleições municipais. "Teve um abaixo-assinado contra o lixão, mas que não deu em nada. Aqui, todo mundo está preocupado, pois o transtorno vai ser grande", acredita. O receio da população é Fazenda Rio Grande ficar conhecida como a "cidade do lixão".
Já em Mandirituba, também na RMC, o terreno é mais afastado da cidade, situado em uma região mais montanhosa, com poucas famílias e algumas indústrias -como madeireiras e metalúrgicas- de pequeno porte. De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de
Mandirituba, o local é uma área industrial criada há nove anos e, por isso, é pouco habitada. Em compensação, a grande quantidade de araucárias no meio do verde marcam o lugar. No município, as pessoas que vivem e trabalham na área parecem melhor informadas do que pode acontecer, ainda que não se organizem para qualquer tipo de resistência, como ocorre na Caximba.
Maria Wolf, que vive com o marido há 15 anos em um sítio no local, diz que sabe da possibilidade do novo aterro ser instalado próximo a sua casa -e isso é tudo. "Queria arrumar nossa casinha, mas como, se a gente não sabe se vai ter que sair daqui ou não?", pergunta. "Se tivermos que sair daqui, vão ter que pagar uma indenização", completa. O metalúrgico Pedro Tavares, que tem uma indústria de fundição na região, diz que está do lado do que for melhor para o município. "Se me derem o que tenho aqui em outro local, não vejo problema nenhum em sair", diz. (T.A.)





