Arquivo FolhaProteçãoO usuário, geralmente, é leal ao traficante e, quando é preso, não denuncia os fornecedores de drogas O Conselho Municipal de Entorpecentes (Comen) de Arapongas reconhece que o tráfico, principalmente o de crack, é um problema grave no município. ‘‘A maioria dos estudantes ou já viu ou experimentou algum tipo de droga. Mudamos a metodologia de trabalho para fiscalizar e prevenir contra a droga. Porém, não há como evitar o tráfico, pois o dinheiro compra muita gente’’, afirma o presidente da entidade, Luiz Matarelli Júnior.
Um dos problemas enfrentados no município é a falta de efetivo policial para reprimir o tráfico. Júnior explica que se há denúncias contra algum traficante, o Comen passa a informação para as polícias Civil e Militar, que verificam a denúncia e, se for o caso, faz a apreensão droga e a prisão dos traficantes.
‘‘Como a cidade é pequena e o efetivo da polícia é quase todo conhecido no submundo do crime, fica difícil o trabalho de repressão. Teríamos que ter uma delegacia ou subdelegacia antitóxico, com polícia descaracterizada e experiente neste trabalho’’, sugere. Júnior reclama da falta de uma delegacia especializada na região. Nas batidas policiais, geralmente os usuários é que são presos. ‘‘Mas não adianta pegar o usuário, pois ele é leal ao traficante. Quando preso, coloca muita gente na roda e protege o fornecedor da droga’’.
Por causa do preço, garante que o crack é a droga mais procurada.
Duas dificuldades apontadas por Matarelli Júnior são as ‘‘mulas’’ (também conhecidas como aviões, que fazem o tráfico pequeno em troca de droga) e dificuldade que a população tem para fazer uma denúncia, mesmo que anônima. ‘‘Os membros do Comen têm arrumado encrenca com muitas pessoas. Muitas vezes assumimos as denúncias. Só no ano passado denunciamos mais de 30 pontos de drogas na região central de Arapongas, fora os da periferia’’.
Para conscientizar a população sobre os males da droga, o Comen tem realizado palestras nas escolas, treinamentos de professores, trabalhos com os pais e atendimento a familiares de viciados, dando toda a infra-estrutura necessária. Mas o maior trabalho é de fiscalização, prevenção e repressão.
Quanto à recuperação de dependentes, o Comen faz o encaminhamento para entidades especializadas e tratamento psiquiátrico. Mas este trabalho tem que ter o apoio da família e do viciado. Ao todo, 46 membros entre titulares e suplentes trabalham voluntariamente no Comen.
Matarelli Júnior afirma que a inversão dos valores familiares tem provocado o aumento de viciados. ‘‘O problema está na família. Hoje, para se recuperar um dependente, é preciso investir em toda a família. Infelizmente, muitos pais não querem assumir esta culpa e este compromisso. Quando se descobre que alguém se tornou viciado, ele é excluído de casa. Para acabar com o vício, a pessoa tem que ser acolhida e não expulsa’’, enfatiza.

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