Dos 19 matadouros existentes na região de Umuarama, nove estão interditados, oito funcionam fora dos padrões, um nem foi ativado e apenas um segue as normas exigidas. Diante da situação, muitos comerciantes de carne vêm abatendo animais no meio do pasto ou em abatedouros clandestinos.
As interdições foram determinadas por falta de higiene, de equipamentos básicos ou de inspeção sanitária. Os matadouras que trabalham fora dos padrões e podem ser fechados se não melhorarem o serviço. Sem ter onde abater os comerciantes de carne se viram como podem. Alguns abatem em municípios vizinhos, outros compram de frigoríficos, mas uma boa parcela está fazendo abate clandestino, no meio do pasto ou em matadouros improvisados.
Os matadouros foram construídos ao longo dos anos 90 para eliminar o abate clandestino e garantir a qualidade e sanidade da carne consumida pela população. Cada construção custou entre R$ 100 mil a R$ 150 mil, bancados pela Secretaria Estadual da Agricultura (Seab), prefeituras e, em alguns casos, por associações de açougueiros. Apesar do investimento elevado, os matadouros nunca funcionaram direito. O de Cruzeiro do Oeste, construído há mais de 5 anos, nunca foi usado.
No final do ano passado, os promotores de Justiça de cinco comarcas pediram a interdição de 9 matadouros. Outros matadouros, onde a situação não era tão crítica, receberam prazos para melhorar as condições de abate. O promotor de Cruzeiro do Oeste, Willian Gil Pinheiro, interditou os matadouros de Tuneiras do Oeste, Tapejara e Mariluz e instaurou inquérito para apurar o abandono do matadouro de Cruzeiro. ‘‘Na prática, os açougues apenas ganharam um prédio de alvenaria para abater. O problema da falta de higiene e de inspeção sanitária não foi resolvido’’, diz. Outro problema é a poluição do meio ambiente. Nenhum matadouro tem sistema adequado de tratamento dos resíduos.
O maior problema seria o custo de manutenção dos matadouros. Particulares que exploram o abate alegam que fica muito caro manter as normas de higiene e pagar veterinários para acompanhar o abate. As prefeituras também afirmam não ter condições de assumir despesas. A maioria sequer regulamentou o serviço de vigilância e fiscalização que passou a ser responsabilidade dos municípios.
Em Mariluz, mais da metade da carne consumida estaria sendo abatida clandestinamente. Enquanto a maioria das cidades tem no máximo 3 açougues, Mariluz (com 10 mil habitantes) tem 11. Segundo um açougueiro que não quis se identificar, 5 ou 6 comerciantes compram carne inspecionada. Os outros estariam abatendo no pasto.
Segundo a veterinária Francismara Peres, da Seab em Umuarama, a situação dos matadouros é crítica, não só na região, mas em todo o Paraná. Entretanto, a responsabilidade pelo controle de qualidade da carne é dos próprios municípios. Até agora, apenas São Jorge do Patrocínio reformou o matadouro e implantou um serviço de abate que pode ser considerado modelo.

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