A falta de uma terceira pista no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, prejudica o incremento da arrecadação de dois dos principais impostos brasileiros: o ISS e ICMS. A maior parte das cargas que poderiam ser exportadas a partir do principal aeroporto do Estado saem do País através do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).
O argumento da Infraero para explicar esta ‘‘evasão’’ obrigatória de tributos é a ausência de uma pista capaz de comportar pousos frequentes de aviões cargueiros de grande porte. Para o ano que vem, está sendo aguardado o início da construção de uma pista de 3.700 metros de extensão no Afonso Pena. Ela será utilizada pelos jatos de transporte. O investimento previsto é de R$ 35 milhões.
Para se ter uma idéia de como o Estado e o município de São José dos Pinhais vêm perdendo dinheiro para São Paulo, basta acessar o balanço mensal da Infraero que acompanha o volume de cargas movimentadas no terminal. Entre janeiro e outubro deste ano, foram despachadas para o exterior apenas cerca de 845 toneladas de carga contra as 6,2 mil toneladas de mercadorias que chegaram de outros países pelo Paraná. Como se percebe, a balança comercial do aeroporto pende folgadamente em favor das importações.
De acordo com o superintendente da Infraero no Paraná, João Roberto de Paula, a situação pode ser revertida. Tudo dependerá, no entanto, de uma reunião que a direção da Infraero em Brasília programa para o próximo final de semana em Campinas com todos os superintendentes regionais. De lá, sairão as informações de como o plano de ajuste fiscal do governo federal vai refletir sobre as finanças da Infraero, responsável pela administração dos aeroportos nacionais.
‘‘Não vejo como cortar recursos da Infraero pois eles são gerados pelo próprio usuário dos aeroportos’’, argumenta João Roberto de Paula. O superintendente da Infraero mostra números que sustentam sua expectativa. Em 98 foram investidos cerca de R$ 15 milhões na duplicação da sala de embarque e na construção de um terminal de carga.
O crescimento estimado deste ano em relação a 97 é de 33%. Na esteira de crescimento do terminal segue o volume de passageiros que circulou pelo aeroporto. Nos 10 meses de 98 foram registradas a presença de 1.669.103 pessoas contra 1.518.982 em todo o ano passado. Para o representante da Infraero, paralisar a aplicação dos investimentos agora seria comprometer a qualidade de prestação de serviços aos usuários.

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