A Associação da Vida Animal (Avan), que abriga cerca de 530 cães em Curitiba, teve que acolher nas férias 28 animais que foram deixados em seu portão. ''No ano passado foi pior, foram 67. A gente passa o ano todo batalhando para conseguir adotar os animais, daí vem o final do ano e volta tudo de novo'', reclama Ernani Guarise que com sua irmã Sandra toma conta da chácara, sede da ONG. Além da Avan, outras ONGs convivem com superlotação. A Amigo Animal está com cerca de 3 mil bichos e a Sociedade Protetora dos Animais com quase mil, só para citar as maiores.
Calcula-se que haja no mundo 250 milhões de cães domésticos, sendo 32 milhões no Brasil. Destes, 25 milhões são cães e 7 milhões, gatos. Os últimos dados sobre a população de animais em Curitiba são de 2003, de um levantamento feito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e que apontou a existência de 450 mil cães. Destes, 49% (220 mil) teriam dono, 48% (216 mil) são semi-domiciliados, ou seja, têm dono mas também perambulam pelas ruas e 3% (13,5 mil) estariam em situação de abandono. A estimativa é de que o número de cães abandonados na região da Grande Curitiba chegue a 15 mil.
Em Curitiba, a prefeitura criou a Rede de Proteção Animal, cujo carro-chefe é um sistema de cadastramento de animais e seus donos e de identificação animal por meio de microchips, ofertados por R$ 9 em clínicas veterinárias cadastradas. Segundo o coordenador da Rede, Marcos Traad, o trabalho feito é no sentido de conscientizar a população sobre a necessidade de se responsabilizar por seus animais. Dos cerca de 6 mil cães cadastrados no site da Rede, no entanto, menos de mil foram microchipados.
Até meados de setembro, de acordo com Traad, deve estar concluída a reforma no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) que terá um centro de atendimento para animais em situação de risco. A licitação das obras deve acontecer em março. A ideia é atender casos que mais graves, como atropelamentos, com capacidade para 70 a 80 atendimentos por mês.
As ONGs, no entanto, cobram uma ação mais efetiva do município, que alie ações que levam à guarda reponsável a um programa de castração gratuito e permanente dos animais. ''O Estado tem que fazer a ação. Por exemplo, não adianta só dizer que é preciso separar o lixo, o Estado tem que buscar o lixo separado. O mesmo acontece com a castração, ele tem que fazer para estimular a guarda responsábel'', diz a especialista em Educação Ambiental Laelia Tonhozi. (M.G.)

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