Falta do senso de coletividade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
Para especialistas ouvidos pela FOLHA, a valorização da cultura e da educação são soluções para erduzir os casos de vandalismo, que são comuns em obras públicas e em todas as cidades. Segundo o sociólogo Marco Rossi, de Londrina, quando uma pessoa depreda um patrimônio público é porque perdeu a noção de coletividade. ''Significa que a educação não está funcionando e a grande mídia não transmite os valores que deveriam ser universais, como a justiça ou liberdade'', conta.
Ele diz que a sociabilidade está em crise onde cada um define seu próprio critério de sobrevivência, o que é um paradoxo, pois nunca a sociedade teve tanto acesso à informação e meios para interagir. ''Quem depreda não se sente parte daquilo; não possui grandes ideais ou proposições; precisa criar um fato para ganhar visibilidade; se sente excluído socialmente e se ressente da diferença na concentração de riquezas e cresce sem os valores coletivos.'' Ele destaca parte da classe média que pratica atos de vandalismo, racismo e homofobia como exemplos de pessoas que cresceram sem noções de valores coletivos.
O arquiteto e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Eduardo Suzuki, também ressalta a falta do senso de coletividade. Segundo ele, o vandalismo fica mais evidente quando a sociedade não se apropria do equipamento público. Ele destaca que fez uma pesquisa em escolas públicas de Londrina e constatou que as mais cuidadas eram as que tinham uma participação efetiva da comunidade. ''Se a obra cria uma identidade com a comunidade fica mais difícil acontecer o vandalismo.'' Segundo ele, é preciso uma certa fiscalização. ''Quando o metrô de São Paulo foi criado, o policiamento era muito grande e a manutenção era frequente e isso fez com que a própria população cuidasse do local e, aos poucos, o policiamento foi diminuindo e a necessidade de manutenção também'', conta.


