No próximo dia 24 será o Dia Nacional do Combate à Tuberculose, doença que ainda é alvo de preconceitos e que muitos acreditam estar erradicada no País. Londrina é uma prova de que a solução para o problema está distante: por falta de uma maior atenção por parte dos profissionais da saúde, muitos casos não são diagnosticados e a contaminação se prolonga por mais tempo que o desejável. O município faz menos da metade (48%) do número de exames de secreção (baciloscopia) preconizado pelo Ministério da Saúde, uma medida simples e de baixíssimo custo que poderia melhorar os indicadores locais da doença.
''Muitas vezes os profissionais ficam tão preocupados com diagnósticos mais elaborados que se esquecem da possibilidade de tuberculose. Uma baciloscopia tem um custo menor que R$ 1,00'', lembra a gerente da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Sonia Fernandes. Ela lembra que o exame é realizado gratuitamente nas unidades básicas de saúde e deve ser feito em todo paciente que apresentar tosse com secreção há mais de três semanas. ''No ano passado, pelo menos 2.850 análises deveriam ter sido feitas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no município, mas só 1.357 exames foram realizados.''
Segundo a gerente, outra barreira para a erradicação da doença - que esteve presente durante todo o desenvolvimento da história humana- é o abandono precoce do tratamento. Como é feito à base de antibióticos específicos, o processo de cura é acompanhado de efeitos colaterais, o que leva muitos pacientes a interromperem a ingestão dos medicamentos antes da hora. ''O tratamento deve ser feito durante seis meses, sem interrupção. Se a pessoa pára antes de estar curada, logo volta a produzir bacilos e consequentemente, a transmitir a doença. E o pior é que muitas vezes estes bacilos tornam-se resistentes aos medicamentos disponíveis, e aí não há muito o que fazer'', explica Sonia.
No ano passado Londrina registrou 144 casos de tuberculose, com 13 mortes, o que significa 9% dos casos. Em 2003 a situação foi ainda pior: 169 casos com 18 óbitos (11%). ''São índices altos para uma doença que tem diagnóstico e tratamento.'' O tolerável, de acordo com a gerente, seria um índice de morte de até 5%.
Outra situação preocupante registrada em Londrina é o maior número de diagnósticos de casos extra-pulmonares, como tuberculose óssea, tuberculose renal e tuberculose pleoral, o que significa que muitos casos de tuberculose pulmonar - a única transmissível - não estão sendo diagnosticados. A doença atinge acima de tudo adultos do sexo masculino, de 20 e 49 anos, e segundo Sonia Fernandes, cada vez que a doença é registrada em uma criança os índices se agravam, porque é sinal de que em casa há outra pessoa contaminada. A vacina BCG, aplicada nos menores de 4 anos, é mais eficaz contra as formas graves da doença, como a meningite tuberculosa.
''A melhor forma de controle da doença é o diagnóstico e início rápido do tratamento, para que a transmissão seja evitada'', lembra a gerente da vigilância epidemiológica.

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