Falta de verbas se reflete em todos os departamentos
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 1997
Londrina 
Os reflexos da falta de recursos, ocasionados pela irregularidade do repasse do Governo do Estado, foram observados em cada um dos departamentos das universidades públicas, que tiveram cotas do orçamento reduzidas. Passagens aéreas - nacionais e internacionais - ou mesmo com ônibus leito passaram a ser racionadas, sobretudo para quem precisasse participar de congressos ou outros tipos de encontros científicos fora da Cidade. Já para os que conseguiam (ou conseguem hoje) viajar, os problemas continuam: taxas de inscrição, diárias de hotel, auxilio-alimentação, táxi etc. Ano passado, a situação era diferente.
Para quem organiza eventos dentro da Universidade a dificuldade é dobrada. Além de montar toda a estrutura, os professores têm agora também que correr atrás do dinheiro para viabilizar o evento. Nem mesmo cartazes e folders, que antes eram produzidos graciosamente pela Gráfica da UEL, estão sendo liberados. E o drama com passagens, estadia, alimentação, pro-labore, entre outros, são repetidos para quem quer trazer gente de fora para participar de encontros na universidade.
Tem sido assim, por exemplo, com o departamento de História, que promove em novembro o 2º Simpósio do Laboratório do Ensino de História. O governo está tirando o corpo fora do ensino público e o que está acontecendo é isso. A gente tem que buscar auxílio até para confeccionar cartaz, diz Jozimar Paes de Almeida, professor de História e um dos organizadores do simpósio. Professores do Mato Grosso, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, entre outros estados, já manifestaram interesse em vir para Londrina especialmente para o encontro
Almeida conta que hoje é comum o professor buscar convidados de outras cidades com o próprio carro e hospedá-lo em casa. Ele acredita que essa situação, se persistir, irá provocar um desânimo na classe e impedir novas iniciativas. A gente acaba concluindo que não vale a pena.
Além de normalizar o repasse junto ao governo do estado, como prevê o acordo selado este mês em Curitiba, as universidades têm procurado recursos através de financiamento. Um deles, explica o reitor da UEL, Jackson Proença Testa, é uma linha de crédito aberta pelo MEC junto ao BNDES para equipamentos e obras. O empréstimo é feito mediante projeto detalhado, mostrando onde os recursos serão aplicados e também a capacidade de endividamento. Se o MEC aprovar o projeto, o BNDES libera o dinheiro.
Jackson Testa diz que ainda não há um número certo de quanto a UEL irá pedir no projeto - desde que aprovado pelo Conselho de Administração - mas calcula que fique em torno de R$ 5 milhões. A nossa necessidade é maior, observa o reitor. Ele acredita que a universidade não terá dificuldades em pagar o financiamento, através de recursos da prestação de serviços, e lembra que várias obras foram levantadas na UEL pelo mesmo sistema, na época do Finame.
O reitor aposta ainda na regulamentação do artigo 205 da Constituição, que prevê o repasse de 2% da receita tributária para a ciência e tecnologia. Seria a grande saída, observa Testa. Outro ponto levantado pelo reitor é buscar a autonomia financeira das instituições, como ocorreu no estado de São Paulo. Lá, 9,9% do ICMS vai para as universidades estaduais.
(Lúcio Horta)


