Falta de verbas pode paralisar ponte
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Vânia Moreira, de Umuarama 
O atraso no repasse de verbas do governo pode parar novamente a construção da ponte sobre o Rio Paraná, em Porto Camargo, município de Icaraíma (80 quilômetros a noroeste de Umuarama). Nos próximos dias, a Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO) vai dispensar pelo menos 100 dos quase 500 operários da obra. O diretor da CBPO, Valter Lana, confirmou ontem as dispensas, mas negou que a companhia pretenda parar a construção da ponte.
Segundo Lana, a dispensa de operários já estava prevista no cronograma. As obras entram agora numa fase em que precisamos de mais mão-de-obra especializada e menos trabalho braçal, justificou. O diretor admitiu que a CBPO não está recebendo verbas do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), mas garante que ainda não há motivos para parar o trabalho.
Muitas empreiteiras a serviço do DER estão com os repasses de verba atrasados, disse. Lana não soube informar quanto o DER deve à CBPO. Na região, fala-se em R$ 10 milhões.
Na semana passada, o prefeito de Icaraíma, Hosny Iankowski dos Santos (PSDB), pediu ao secretário dos Transportes, Deni Schwartz, a liberação de parte do dinheiro para evitar a paralisação das obras. Desde que começaram, em 1987, as obras já foram paralisadas três vezes. A última delas foi em julho do ano passado, por causa de problemas ambientais. Cerca de 50% do projeto está pronto. Para concluir o restante, ainda são necessários mais R$ 33,5 milhões.
A ponte deverá ser a segunda maior do País (a maior é a Rio-Niterói), ligando Icaraíma a Naviraí, em Mato Grosso do Sul. Cerca de 150 quilômetros abaixo, o governo contrói outra ponte sobre o Paranazão, ligando Guaíra a Mundo Novo (MS). A travessia do Rio Paraná em Porto Camargo exige a construção de quatro pontes, num total de 2,8 quilômetros, sobre quatro canais do rio, e de um aterro de quase 7 quilômetros sobre a Ilha Bandeirantes. Entre pilares e aterro, serão quase 10 quilômetros de extensão.


