O vigilante Vicente Alexsandro Eugênio, de 33 anos, reside no imóvel cujo muro é o mais próximo da cratera. "Esse buraco surgiu há 15 anos, mas em janeiro do ano passado o problema se agravou. Ninguém dorme mais, com medo da casa ser engolida pelo buraco", revela. Ele conta que sua mãe, que mora na casa ao lado, pede para dormir na sala dele, já que o cômodo é o que fica mais distante da cratera. Segundo ele, a Defesa Civil já orientou para que os moradores das seis casas mais próximas do buraco fiquem alertas e comuniquem o órgão se o buraco aumentar. Até agora nenhuma casa foi interditada, mas há duas placas no local indicando que a área no entorno da erosão está sob essa condição.
O segurança Claudinei Domingues, de 48, declara que não pretende sair do imóvel, pois teme que seja encaminhado a um imóvel menor e de qualidade inferior que a sua atual casa. "Ninguém vai sair daqui", afirma o segurança, que mora com o pai Eurico Domingues.
O agente da Defesa Civil, Fábio Aparecido Topa, confirmou que a casa de Domingues será desapropriada, mas como ainda não há um local definido para onde sua família seria realocada, uma solução paliativa seria abrir um acesso pelos fundos do imóvel. "Tira um pouco do risco. De imediato é o que se pode fazer, já que eles podem ficar isolados", relata, explicando, porém, que é necessário pedir autorização da empresa proprietária do terreno nos fundos.
Sobre os outros imóveis ameaçados, a orientação de Topa é que os moradores permaneçam por enquanto, contanto que realizem um monitoramento. Ele admite que a Defesa Civil ainda não elaborou um plano de evacuação do local para a possibilidade de a situação se agravar, mas que isso deve ser realizado na próxima reunião, marcada para o dia 17. "O buraco está próximo dos muros, mas para chegar nas casas ainda vai demorar um pouco", garante.

RECURSOS
O secretário municipal de Obras e Pavimentação, Fernando Tunouti, explica que nesta semana foi concluído o levantamento topográfico no local. Agora o grupo de engenheiros da pasta deve definir ainda em fevereiro qual a melhor estratégia para intervenção no local.
A preocupação é de onde virão os recursos para a execução das obras. O secretário espera conseguir verbas federal, estadual ou mesmo usar o Fundo Municipal de Saneamento. "Para isso temos que levantar o custo total da obra e a aprovação do uso desses recursos deve passar por aprovação do Conselho Municipal de Saneamento", explica. (V.O.)

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