Falta de vagas pode ameaçar socorro
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quarta-feira, 11 de dezembro de 1996
Ivan Santos<br> Da Sucursal 
A falta de vagas em hospitais em Curitiba e Região Metropolitana pode ser a principal ameaça em caso de acidente no Aeroporto Internacional Afonso Pena. O problema foi comprovado ontem no exercício feito pela Infraero para testar o plano de emergência aeronáutica do Afonso Pena. Na simulação da queda de um avião com 84 ocupantes - 59 mortos e 25 sobreviventes - as equipes de socorro do aeroporto conseguiram completar a operação de retirada de 20 feridos graves em 50 minutos.
A dificuldade foi encontrar leitos vagos para o atendimento das vítimas, já que São José dos Pinhais, onde fica o aeroporto, conta apenas com o Hospital São José para atender esse tipo de emergência. A alternativa seria recorrer a hospitais de Curitiba. Nesse caso, o transporte das vítimas levaria de 15 a 20 minutos, contra três minutos para chegar até o Hospital São José. Esse tempo extra, na simulação de ontem, custou a vida de três das cinco vítimas encaminhadas ao Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, que morreram durante o percurso.
Dos 25 feridos na simulação do Infraero, quatro teriam de ser transferidos para o hospital Cajuru, cinco para o Evangélico, cinco para o Angelina Caron e um para a Santa Casa. O hospital São José só poderia acolher cinco. Outros cinco feridos menos graves ficaram no local do acidente, a espera de transporte e vagas hospitalares.
Um total de cem pessoas, entre bombeiros, policiais militares, médicos e voluntários participaram ontem do exercício, que é feito anualmente. Na semana passada, 55 voluntários recrutados entre os funcionários das empresas aéreas e da Infraero fizeram curso de primeiros socorros e aprenderam como agir em caso de emergência. O exercício testa a habilidade dos voluntários em condições reais.
Em caso de acidente, a torre de controle do Afonso Pena aciona a equipe de combate a incêndios e os médicos de plantão, depois de interromper o tráfego na pista para facilitar o deslocamento das equipes de salvamento. Ontem, as equipes conseguiram chegar até o local do acidente, distante cerca de dois quilômetros da cabeceira da pista, em dois minutos.
Das cerca de três mil pessoas que trabalham no Afonso Pena, 338 já participaram dos exercícios de emergência. A ansiedade gerada pela preocupação de prestar atendimento rápido é citada pelos voluntários como a principal dificuldade nessas situações. Falta prática e também fôlego, comentava ontem o auxiliar técnico de segurança, Marcio Villatore, 27 anos, que como maqueiro, carregou dez pessoas em pouco mais de dez minutos durante a simulação.


