Falta de vacina ainda é problema no mundo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de maio de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - Mais de 22 milhões de crianças no mundo, cerca de uma em cada cinco, estão sem receber vacinas contra doenças básicas. O alerta foi feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que promoveu recentemente um evento para alertar a população sobre a importância da imunização.
O Brasil é um dos países que oferece o maior número de vacinas à população, disponibilizando mais de 300 milhões de doses anuais de imunobiológicos, entre vacinas, soros e imunoglobulinas. A cobertura vacinal no País, nos últimos dez anos, foi de 95%, na média, para a maioria das vacinas do calendário infantil e em campanhas.
Porém, o Paraná e vários outros Estados têm enfrentado uma situação complicada nos últimos meses: a falta de vacinas (como tríplice virial e DPTa) e soros antivenenos e a descontinuidade de fornecimento de outras.
De acordo com o superintendente de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Sezifredo Paz, a situação vem se agravando desde o ano passado e acentuou-se este ano. "Estamos falando de vacinas que não podem faltar. Já avançamos muito no controle de algumas doenças e não podemos deixar que o estoque fique nesse estado crítico, com nenhuma ou com poucas. Certamente, a cobertura vacinal deste ano vai ficar comprometida", declarou.
No ano passado, vieram 300 mil doses de DPTa no primeiro trimestre; este ano, apenas 200 mil doses. Já a vacina dupla (difteria e tétano), 320 mil em 2013; contra 227 mil em 2014.
Em nota, o Ministério da Saúde (MS) nega que exista desabastecimento de vacinas e soros no Brasil. "Alguns Estados apresentaram episódios pontuais de redução nos estoques estratégicos, mas sem terem reportado ao MS comprometimento no atendimento à população. Para assegurar o abastecimento contínuo destas vacinas, o Ministério da Saúde encaminha, rotineiramente, informes às secretarias estaduais de saúde sobre as medidas que garantam a oferta dos produtos, otimizem o uso das vacinas e reduzam possíveis desperdícios. É importante frisar que o MS mantém estoques estratégicos destes itens para atender solicitações feitas pelas secretarias estaduais de saúde sempre que há baixas nos estoques."
EPI
Segundo a agência da ONU para a saúde, a imunização evita de 2 milhões a 3 milhões de mortes anualmente, por 25 doenças, incluindo difteria, sarampo, pneumonia, rubéola ou tétano. A OMS estima que cerca de 1,5 milhão de crianças morram anualmente por doenças preveníveis com vacinas recomendadas pela organização.
Um fator que contribuiu para esse progresso foi o Programa Expandido de Imunizações (EPI), que comemora 40 anos em maio deste ano e foi aplicado em todos os países. Quando o EPI foi criado, apenas 5% das crianças no mundo recebiam vacinas básicas. Hoje, a vacinação atinge mais de 80%, diz a OMS em comunicado.
O Ministério da Saúde realiza três campanhas fixas (contra poliomielite, de atualização da caderneta e influenza) por ano para incentivar e conscientizar a população sobre a importância da vacina, especialmente aos grupos prioritários. Atualmente, 96% das vacinas oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS) são produzidas no Brasil ou estão em processo de transferência. Isso porque o País tem um parque produtor de vacinas e imunobiológicos. Além da erradicação de doenças, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde vem controlando, por meio da vacinação, o tétano neonatal, formas graves da tuberculose, difteria, tétano acidental e coqueluche.(Com agências Brasil e Lusa)


