Uma correspondência interna da chefia do Centro de Terapia Intensiva Adulta do Hospital Universitário (HU) de Londrina enviada à direção clínica em 10 de junho deste ano aponta que 25 pacientes podem ter morrido apenas este ano enquanto esperavam por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O relatório foi conhecido ontem durante a reunião na Câmara que discutiu a falta de leitos de alta complexidade no município.
Uma comissão foi formada e dentro de 30 dias deverá se reunir novamente para apontar possíveis soluções ao problema que, tanto no entendimento do Município quanto do Estado, é sazonal e não crônico. Em Londrina, que é referência em toda a região norte, existem 125 leitos de UTI mas apenas 95 atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
A médica chefe da divisão de UTI Adulto do HU, Lucienne Queiroz Cardoso, afirma que até aquela data, 327 pacientes com indicação de UTI haviam dado entrada no hospital mas não foram admitidos imediatamente por falta de vagas. Destes, 91 encontravam-se em ventilação mecânica (28%) no momento da solicitação da vaga. ''Infelizmente 25 pacientes potencialmente recuperáveis morreram nas enfermarias e PS à espera de um leito de cuidados intensivos'', indica. A médica completa que outras mortes podem ter ocorrido porque os pacientes não foram internados imediatamente na UTI. O tempo de espera por um leito variou no período de um a quatro dias. Ela lembra ainda que muitas cirurgias eletivas foram suspensas por falta de vagas na UTI disponíveis.
O diretor-superintendente do HU, Francisco Eugênio, disse que tomou conhecimento de que pacientes morreram à espera de leitos de UTI mas ressaltou que estavam sendo assistidos em ''condições semelhantes'' em outras alas do hospital. ''Quantos desses tiveram as mortes relacionadas a uma dificuldade de assistência em UTI é que precisamos estudar caso a caso para definir quais chances essas pessoas teriam se tratadas numa UTI'', argumentou.
O promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, disse que não havia recebido essa informação do HU. ''Temos que verificar se esse levantamento envolve aqueles pacientes que efetivamente precisavam de UTI e que havia perspectiva de sobrevivência'', observou o promotor, que ficou com uma cópia do documento.
Mesmo diante do relato das possíveis mortes por falta de vagas, a chefe da 17 Regional de Saúde, Vânia Gutierrez, avaliou que dentro de Londrina existem leitos em número adequado para atender tanto o município quanto os outros 97 da área de abrangência da regional. ''Temos que ver em que nível de gravidade esses pacientes vieram a óbito'', comentou. Ela deve se reunir com o secretário estadual de Sáude, Cláudio Xavier, e com o diretor do Sistema, Gilberto Martin, para discutir a regionalização do atendimento de alta complexidade e da rede de assistência disponibilizada na macro-região norte, hoje concentrados em Londrina.
Também não faltam leitos de UTI na visão da representante da Secretaria Municipal de Saúde, Margaret Shimiti. ''Estamos numa etapa que exige uma série de avanços mas os problemas que existem hoje são pontuais'', respondeu.
O vereador e presidente a Comissão de Seguridade Social da Câmara, Tercílio Turini, rebateu dizendo que os números apresentados pelo Município mostram um estrangulamento no atendimento de alta complexidade em Londrina, porque a cidade é hoje uma referência estadual para casos de alta complexidade. ''Nós optamos pela formação de uma comissão técnica que no prazo de 30 dias volta para apresentar o aprofundamento do estudo e quais os caminhos para solucionar esse problema'', concluiu.

mockup